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O coworker ideal

Semana passada abri uma vaga no Github do CocoaHeads para trabalhar comigo aqui em Amsterdam. Algumas pessoas mostraram interesse e vieram conversar comigo. A pergunta que eu mais ouvi foi: quais os pré-requisitos da vaga?


Estou num momento da minha vida profissional que, mais do que desenvolver software, quero desenvolver algo que impacte positivamente a vida de alguém (ou de alguéns). E quero desenvolver esse algo da melhor maneira possível.

A primeira forma de fazer isso é, claro, através do próprio desenvolvimento de software. Trabalho hoje em uma empresa pequena chamada Siilo e queremos de verdade oferecer um serviço de qualidade para os profissionais da área médica e acreditamos que estamos construindo uma ótima plataforma, com ótimas ferramentas e ótimos aplicativos. Já impactamos positivamente a vida de algumas dezenas de médicos e vamos impactar muito mais.

Minha participação nessa missão se concentra em desenvolver um bom app. Garantir um app de qualidade, utilizando sempre as melhores práticas de programação, boas arquiteturas e tecnologias modernas. O app está sempre em evolução e eu sempre estou estudando e aprendendo algo diferente. Assim, temos um app de qualidade e um profissional motivado.

Nos √ļtimos meses tenho percebido - e isso ficou bem claro durante o √ļltimo WWDC (2016) - que a grande maioria dos desenvolvedores e profissionais da √°rea de tecnologia (brasileiros e gringos) vem alimentando ambi√ß√Ķes que na minha opini√£o s√£o completamente equivocadas - e pretendo escrever sobre isso em breve - mas o resumo √© que o nosso foco est√° sempre em uma tela de vidro enquanto deveria estar nas pessoas e no mundo (do qual - pasmem - fazemos parte). A cada a√ß√£o nossa, parece que estamos fazendo quest√£o de nos tornar menos humanos e mais dependentes da tecnologia. E uma depend√™ncia totalmente in√ļtil e desnecess√°ria.


Voltando - e respondendo - à pergunta: quais os pré-requisitos da vaga para trabalhar comigo? Aqui vão:

O meu coworker ideal tem que gostar do que faz. Tem que gostar da cidade que mora, tem que saber apreciar um belo dia de sol. Tem que ser uma pessoa sensata, serena, que saiba parar e pensar antes de tentar resolver qualquer problema. E tem que ser uma pessoa que saiba resolver problemas. Meu coworker ideal tem que cuidar da sa√ļde - f√≠sica e mental - e isso tem que ser prioridade na vida dele. Ele ou ela tem que saber que trabalhar demais √© ruim para todo mundo. Meu coworker ideal tem que gostar de ir pro bar e n√£o ficar olhando o celular a cada 5 minutos (nem a cada 30).

Meu coworker tem que trabalhar bem, gostar de aprender e de evoluir. Tem que saber ouvir. Tem que gostar de programar, tem que gostar de iOS e tem que entender o potencial da plataforma. Tem que estar aberto para as novidades técnicas e saber encarar os desafios do trabalho com bom-humor. Meu coworker ideal tem que saber que dinheiro não traz felicidade. Meu coworker ideal tem que se recusar a trabalhar de fim de semana.

Ou seja, meu corworker ideal tem que ser um baita profissional. Mas ele tem que saber que muito mais do que um trabalho, ele tem uma vida.

BTW

2016: Lado direito

Nunca tive dificuldade com n√ļmeros. Sempre gostei de Matem√°tica. Nunca gostei de F√≠sica, mas n√£o posso dizer que era algo dif√≠cil pra mim. Sempre gostei e tive muita facilidade com jogos de racioc√≠nio e desafios l√≥gicos.

Nunca gostei de estudar, mas nunca repeti de ano e só fiquei de recuperação uma vez (em História, na quinta série). No meu terceiro ano do ensino médio, matei mais de 70% das minhas aulas de Matemática, Física e Química. Nunca bombei em nenhuma matéria durante a minha graduação. Tenho até uma medalha de prata na Olimpíada Brasileira de Matemática que ganhei meio por acaso.

Não me gabo por nada disso. Acho que muitos desses feitos não são necessariamente méritos meus. Sempre fui muito bom em estudar apenas o suficiente para passar de ano ou fazer o mínimo para atender as expectativas (no trabalho por exemplo). Ao longo dos anos, isso mudou um pouco - especialmente em relação ao trabalho. Já faz alguns anos que tenho buscado um emprego no qual eu realmente me identifique e consequentemente faça questão de fazê-lo bem feito e não simplesmente porque "tenho que fazer".

Já faz algum tempo também que praticamente tudo que eu faço (e acho que isso é meio normal da "vida adulta") é quase 100% baseado no trabalho: a cidade que eu moro, os cursos que eu escolho, os livros que eu leio, as viagens que eu faço. Meus (mais recentes) amigos são todos da área de tecnologia. Meus hobbies são todos relacionados à lógica. Meus "projetos paralelos" estão sempre relacionados à programação.

Para o ano que vem, vou mudar isso.

Não vou mais fazer freelancing ou projetos paralelos que envolvam programar. Meu tempo de programação e estudo estarão confinados às minhas 8 horas de trabalho diárias. Fora do escritório, não toco em uma linha de código. Aliás, não tenho mais Mac pessoal (e muito menos Xcode instalado em outro Mac que não seja o do trabalho).

Existem um milh√£o de coisas que sempre quis fazer e nunca tive "tempo" ou disposi√ß√£o. Muitos iniciativas que comecei mas parei no meio porque eram dif√≠ceis demais. Muitos hobbies que deixei de fazer porque eram in√ļteis.

Teoria musical, tocar viol√£o, desenhar, pintar. Fazer podcasts, escrever, ler, ouvir m√ļsica, meditar. Falar, ouvir, conversar. Esses s√£o apenas alguns exemplos de atividades que (pra mim) s√£o muito dif√≠ceis de fazer, seja por falta de habilidade, por n√£o estar relacionado diretamente com meu trabalho ou por "n√£o servir pra nada". S√£o atividades que n√£o s√£o necessariamente l√≥gicas e por isso me trazem um certo desconforto. S√£o exatamente por elas que vou come√ßar.

2016: Sa√ļde

Sempre fui uma pessoa muito saud√°vel. E por isso, claro, nunca liguei pra minha sa√ļde.

Em 2016, sa√ļde ser√° a minha prioridade n√ļmero um. Mais importante do que meu trabalho, mais importante do que minha carreira, mais importante do que meus hobbies, mais importante do que as outras pessoas.

N√£o me leve a mal: isso n√£o significa que vou deixar todas as outras coisas de lado, mas se for para deixar algo de lado, n√£o ser√° a minha sa√ļde. N√£o vou fazer planos e promessas de perder X quilos ou correr Y quil√īmetros at√© o fim do ano. N√£o vou me tornar vegetariano ou parar de beber. Mas vou cuidar de mim como nunca cuidei antes. Para isso, tomei algumas a√ß√Ķes:

A lista é enorme e assusta. Em outros tempos, eu acharia impossível seguir todos esses pontos. Mas as coisas ficam um pouco mais fáceis quando isso é a prioridade da sua vida. E, pensando bem, deveria sempre ser.

Ano novo, vida nova

Adoro começar projetos novos. Adoro me preparar para começar projetos novos. E esse é provavelmente o principal motivo pelo qual eu adoro fazer planos. Principalmente planos de ano novo.

Adoro a sensação de virar a página e começar com uma folha em branco. Adoro não só o sentimento de terminar algo (e o prazer de ter o dever cumprido), mas especialmente a liberdade para arquitetar e organizar novos desafios, de explorar novas possibilidades, de poder aprender coisas novas. De evoluir. De estar sempre em desenvolvimento.

Por√©m, sempre fui p√©ssimo em administrar meu tempo (e muitas vezes minha disposi√ß√£o) para terminar tudo que eu come√ßo. Sem contar as in√ļmeras vezes que passo meses me planejando para fazer algo que acaba nunca come√ßando.

A minha desculpa oficial sempre foi "não tenho tempo". Essa provavelmente é a sua desculpa oficial também, mas isso é assunto para um outro texto.

Para 2016 quero ter tempo para fazer as coisas que eu gosto. Quero ter tempo para fazer as coisas com as quais eu realmente me importo, que me fazem bem e que me deixam feliz. E só. Ao invés de me cercar simplesmente de pessoas "aleatórias", quero desfrutar meu tempo livre com as (pouquíssimas) pessoas que eu gosto. Quero usar meu tempo para realizar projetos com os quais eu me importo e que acredito. Quero ter tempo para experimentar coisas novas e diferentes. Quero tentar. Quero aprender e quero errar. Quero parar de dar desculpas esfarrapadas e de parar de jogar meu (precioso) tempo no lixo. Quero agir, quero fazer.

Algo me diz que 2016 vai ser um ano extraordin√°rio.

Conferências

#####Pela praticidade, usarei o termo desenvolvedores nesse artigo, como forma de nominar os desenvolvedores iOS/OS X/AppleTV/watchOS, sejam eles iniciantes, veteranos ou apenas entusiastas (muitas vezes até profissionais de outras áreas).


Em relação a expectativas, nunca ouve um fim de ano tão empolgante para os desenvolvedores no Brasil.

Este √© o primeiro ano que podemos afirmar (questionavelmente, claro) que somos a maior comunidade iOS do mundo. Nunca fomos t√£o grandes, t√£o organizados e t√£o unidos quanto somos hoje. Trocamos informa√ß√Ķes, experi√™ncias e conhecimento quase que diariamente. Toda essa troca √© motivante tanto para quem compartilha quanto para quem ouve. E um dos resultados indiretos disso √© sempre uma busca, uma vontade por mais. Mais informa√ß√£o, mais experi√™ncias e mais conhecimento.

Neste ano, finalmente, parece que a Apple est√° querendo jogar no nosso time, ao inv√©s de jogar contra n√≥s. A volta dos Apple Tech Talks, a import√Ęncia que ela tem dado ao setor de Developer Relations e a abertura do c√≥digo n√£o s√≥ do Swift, mas de outros projetos tamb√©m, s√£o apenas alguns exemplos que mostram isso.

E pelo mundo afora as confer√™ncias voltadas a n√≥s, desenvolvedores, n√£o param de brotar. √Č geralmente nessa √©poca do ano que fazemos planos e in√ļmeras contas para saber quais confer√™ncias vamos conseguir participar no ano que est√° chegando. O Ray Wenderlich posta anualmente (por volta de Janeiro) uma famosa lista com as top 10 confer√™ncias para aquele ano. Outra fonte muito boa √© o reposit√≥rio CocoaConferences do Luis Ascorbe (organizador da NSSpain) no Github, onde ele agrega uma lista com (quase) todas as confer√™ncias da nossa √°rea que possam nos interessar.

Come√ßar a ir em confer√™ncias mudou minha vida. N√£o s√≥ pelo conte√ļdo das confer√™ncias em si mas pelo mar de motiva√ß√Ķes que as acompanham. √Č indiscrit√≠vel a sensa√ß√£o de voltar para casa depois de uma boa confer√™ncia, onde voc√™ n√£o s√≥ aprendeu coisas novas, mas conheceu pessoas, fez amigos e, principalmente, criou e produziu coisas que voc√™ jamais imaginaria ser capaz. Gosto tanto de confer√™ncias e de toda inspira√ß√£o que elas trazem, que resolvi morar numa cidade que √© uma grande confer√™ncia, 24 horas por dia.

Para o ano que vem, pare de inventar desculpas. Planeje-se. Peça ajuda e conselhos para quem já foi e se esforce para ir em pelo menos uma conferência (e por que não mais?). Tenho certeza que tem muita gente que vai às conferências que você quer ir que tem muito menos dinheiro, muito menos tempo livre e muito menos bla-bla-bla do que você.

A vida é um Picnic

Todos os dias, nas idas e vindas para o trabalho, parece que estou vivendo um sonho. Amo essa cidade. Amo as ruas, os canais, as pessoas, as bicicletas, os mercados de rua, as casas tortas.

√Č um pouco surreal para mim acreditar que estou vivendo isso. O tempo tem voado e muitas coisas aconteceram nesses cinco meses que estou aqui.

Falando especificamente do trabalho (afinal, foi para isso que eu vim), nunca imaginei que aprenderia tanto nesses √ļltimos meses. Me inspirei a colocar duas iniciativas em pr√°tica para tentar compartilhar um pouco de tudo que eu estou aprendendo (o Invariante e o Podcast do CocoaHeads Brasil). Tive a imensa sorte de cair de p√°ra-quedas em um projeto desafiador que me deu espa√ßo para crescer como desenvolvedor. Nesses √ļltimos cinco meses, tive a sorte de trabalhar lado a lado com um dos desenvolvedores mais competentes que j√° conheci. Tive o prazer de trabalhar com um time que, embora pequeno, fosse extremamente qualificado e, acima de tudo, fomado por seres humanos extraorin√°rios.

√Č triste - de novo - ter que deixar a empresa e colegas de trabalho que me receberam de bra√ßos abertos e me ensinaram tanto. Essa tristeza de partir s√≥ fortalece o sentimento de que os meus dias aqui superaram (e muito) as minhas expectativas. Mas a vida √© isso. Momentos t√£o incr√≠veis que parecem um sonho.

A vida é um Picnic.

Ambiente

H√° algum tempo tenho tentado buscar o ambiente ideal de trabalho para mim.

Sou um procrastinador por natureza, adoro buscar bons motivos para não fazer nada. Além disso, tenho uma tendência a me entediar com rotinas. Trabalhar dentro de um escritório, 8 horas por dia é algo que nunca consegui fazer. Por outro lado, descobri que trabalhar de casa todos os dias não é uma tarefa fácil (pelo menos para mim). Não que eu não goste de trabalhar do escritório ou de trabalhar de casa. O problema é a mesmice.

Quando trabalhei na Movile, tive a chance de intercalar dias trabalhados no escritório e dias trabalhados em casa. Foi um grande avanço e me senti muito mais produtivo. Dois fatores, porém, fizeram com que essa minha nova "rotina" não desse muito certo:

Primeiro que os dias trabalhados em casa, apesar do bom ambiente de trabalho para mim, eram um problema a mais para todos os outros membros da minha equipe. Quando se trabalha remotamente, o time inteiro tem que entender isso e estar preparado para trabalhar dessa maneira. Ou seja, apesar dos meus dias em casa serem produtivos, a falta de comunicação e sincronia com o time muitas vezes levavam a trabalhos desnecessários ou inconsistente por causa de uma mudança repentina que não foi comunicada.

O segundo fator √© que, embora os meus dias no escrit√≥rio fossem "fora da rotina" para mim, eram dias "normais" para todas as outras pessoas. √Č f√°cil de ver quando uma pessoa (ou um time) est√° desmotivado pela mesmice da rotina e como isso interfere, novamente, em toda a intera√ß√£o com o resto do time.

Hoje em dia, trabalho 4 vezes por semana em um escritório (Escalada) e, às sextas, trabalho de outro escritório (eBuddy). Gosto muito mais do segundo escritório (os tetos são mais altos, as mesas e janelas são maiores, é mais perto da minha casa) mas o outro também é bom. Mas o que torna o dia-a-dia tão mais produtivo aqui é tudo que está ao redor.

Seja numa caminhada ao trabalho pela manh√£ ou num caf√© as 4 da tarde. Seja no caf√© da manh√£ em uma padaria ou no hor√°rio do almo√ßo durante um passeio pelo mercado de rua. Existem centenas de lugares e ocasi√Ķes em que assuntos relacionados ao trabalho podem ser resolvidos que n√£o sejam necessariamente dentro de um escrit√≥rio. Esses ambientes diferentes √© o que as empresas buscam ao decorar sala de reuni√Ķes com pufes, construir salas divertidas e mais confort√°veis. Mas nada se compara a uma cidade inteira te propiciando tais ambientes.

Fazem 6 semanas que estou aqui e estou aproveitando cada dia, mesmo que seja cheio de trabalho. A falta de rotina me mantém motivado e me sinto produtivo e evoluindo profissionalmente. Sinto que estou aproveitando melhor o meu tempo e produzindo mais, pois não caí - ainda? - no tédio.

A grande maioria das pessoas que eu conheço tem a possibilidade de trabalhar remotamente ou de outros lugares que não o escritório por pelo menos algumas horas na semana. Se você é uma dessas pessoas, aconselho a tentar. Tem dado muito certo para mim, pode dar certo para você também.

PS - escrevi esse post num café as 9 da manhã de um sábado, onde temos um evento semanal de peer lab.

2013

2013 é um forte candidato a melhor ano da minha vida.

Uma das grandes causas disso - não posso negar - foi o meu princípio de realocação para os Estados Unidos: no fim de 2012, logo após o WWDC, eu já tinha comunicado à CI&T (a empresa para qual eu trabalhava até então) que eu não gostaria de continuar lá, a não ser que houvesse uma oportunidade de mudança para fora do Brasil. Essa foi, então, a promessa.

Logo em janeiro, me "mudei" para St. Louis, onde eu trabalharia alocado dentro de um dos nossos clientes, a Monsanto, até o meu visto americano sair. A idéia é que eu ficasse em St. Louis por um período de 6 a 12 meses, entre idas e vindas, trabalhando por lá e, depois disso, mudasse para alguma outra cidade nos Estados Unidos.

Por ora, vou omitir os detalhes de morar em St. Louis que, por si só, já dariam uma história completa. A parte que interessa dessa mudança é que me permitiu ir à minha primeira conferência: a CocoaConf em Chicago 2013.

Fui para Chicago dirigindo - cerca de 4 horas de viagem. Chegando lá me senti meio perdido, meio deslocado. Tudo era novidade para mim: desde a organização da conferência até a simpatia dos atendentes. Quem me conhece sabe que eu sou tímido o suficiente para não falar com praticamente ninguém durante todo o evento. Fiquei ali escondido no meu canto, assistindo passivamente às palestras, rezando para que ninguém viesse conversar comigo.

E, por mais que eu saiba que podia ter aproveitado mais, me diverti bastante. E a CocoaConf foi apenas o começo de tudo. Inspirado pelas pessoas, pelas palestras da Jaimee, do Daniel, do Jonathan entre muitas outras e, além disso, pelo clima de amizade e comunidade que pairava por ali, voltei para St. Louis com vontade de mais. Muito mais.[1]

Foi aí que despiroquei. Comprei meu ingresso - e minhas passagens - para a GOTO Conference em Amsterdã. Comprei também os tickets para a 360iDev, em Denver e a SecondConf, em Chicago (e, posteriormente, comprei minha entrada pro WWDC também).

O WWDC, como sempre, foi muito bom, mas, comparado com as outras conferências do ano, acabou sendo a menos relevante para mim.

Por uma série de fatores (entre eles falta de férias e preço de passagens), fui para Amsterdã ficar apenas 4 dias (a GOTO duraria 2 desses dias). Na Europa, eu só tinha ido para Barcelona uma vez no ano passado (2012), ou seja, era minha primeira vez em Amsterdã. Ia ser uma correria.

Chegamos quase no fim do dia, e tivemos tempo apenas para conhecer as redondezas do hotel. O dia seguinte, passei inteiro na conferência, onde conheci a Tara e o Martinus, dois Appsterdamers que estavam com um estande lá no evento.

No segundo dia, a GOTO foi encerrada com uma palestra do Mike Lee. Aquela seria a minha chance de me apresentar a ele e agradecer por todo trabalho que ele tinha feito em relação à Appsterdam e dizer como aquilo tinha sido importante para a minha vida. Logo após a palestra dele, porém, várias pessoas foram conversar com ele e não consegui achar um bom momento para interromper (ajudado, claro, pela minha enorme timidez).

Bom, paci√™ncia. Mais tarde nesse mesmo dia, eu e a Mar√≠lia fomos para o Meeten en Drinken, que √© um encontro que acontece todas as quartas-feiras com a galera de Appsterdam em um bar. Encurtando a hist√≥ria, conhecemos duas pessoas l√°: O Klaas Speller e o Saul Mora. O primeiro ficou encantado de n√≥s sermos brasileiros e perguntou se n√≥s n√£o quer√≠amos traduzir o jogo educativo que ele tinha (junto com mais um s√≥cio) para portugu√™s. Aceitei prontamente e ficou combinado que no dia seguinte (meu √ļltimo em Amsterd√£) eu passaria no escrit√≥rio dele para pegar mais detalhes. O segundo, conversou bastante com a Mar√≠lia e nos convenceu de que, para conhecer Appsterdam, 4 dias n√£o eram o bastante. Segundo ele, era preciso pelo menos 1 m√™s de imers√£o na cidade para compreender o significado daquilo. Recado anotado.

No dia seguinte, após tomar todas na Heineken Experience, fomos ao escritório do Klaas. Para a minha surpresa, ao chegar lá nos deparamos com o sócio dele: Mike Lee.

As duas ou três horas que passei conversando naquela tarde com o Mike e o Klaas são irrecontáveis. Não tenho palavras - e nem a pretensão - para descrever como me senti. Imagine-se conversando com o seu maior ídolo por uma tarde inteira (sim, o Mike Lee era o meu maior ídolo até então). Pois é.

Não lembro de mais nada da viagem. Não lembro como voltei para casa, não lembro da viagem de volta. Lembro que, chegando em St. Loius eu era outra pessoa e estava super animado para - pelo menos tentar - fazer alguma coisa pela comunidade de desenvolvedores no Brasil. Ali, a minha vontade de um dia morar nos Estados Unidos começou a diminuir.

Dois meses se passaram e um grande amigo meu veio passar férias nos Estados Unidos e ficou hospedado "lá em casa" por uns dias. Decidimos que íamos aproveitar para ir em outras duas conferências que aconteceriam em Setembro: a famosa 360iDev, em Denver e a SecondConf, em Chicago. Fomos de carro, partindo de St. Louis, para as duas.

A 360iDev é até hoje, na minha opinião, a melhor conferência técnica para desenvolvedores iOS. A edição de 2013 não foi diferente e aprendi muito naqueles 5 dias em Denver. Tanto é que voltei em 2014 e pretendo voltar em 2015.[2]

A SecondConf era uma confer√™ncia n√£o s√≥ focada em tecnologia, mas focada principalmente em pessoas. A edi√ß√£o que participamos foi a √ļltima e foi extremamente motivadora para mim. Uma das palestras, da Ashe Dryden, me encorajou a seguir em busca do que eu acreditava e plantou uma semente na minha cabe√ßa para que, num futuro pr√≥ximo, eu pedisse demiss√£o. Foi tamb√©m durante a SecondConf que eu conheci e conversei com o Fraser Speirs, diretor da Cedars School of Excellence (uma das primeiras escolas do mundo a aplicar o programa de 1 iPad por crian√ßa) e, num impulso (que futuramente se provou acertado) agendei com ele uma visita √† escola em Glasgow, no dia 27 de mar√ßo de 2014 (!!!).

Quando voltei para o Brasil em outubro eu era, definitivamente, outra pessoa. Além da minha falta de vontade em continuar na CI&T, outros motivos me forçaram a pedir demissão - o que, como todas as vezes que pedi demissão na vida, me fez muito bem. Passei dois meses sem emprego, planejando o futuro e antes do fim do ano, eu já estava empregado novamente.

Aprendi muito em 2013 e nele come√ßaram muitos planos e realiza√ß√Ķes que at√© hoje impactam minha vida. Foi nesse ano que aprendi a ter um pouco menos de medo de jogar tudo para o alto em busca do que eu acredito.


[1]

: sou eternamente grato à CocoaConf por me despertar essa vontade de aprender e, de cada vez mais, querer participar de outras conferências. Acredito que ela foi um divisor de águas para mim.

[2]

: pelo segundo ano consecutivo, estamos organizando uma "caravana" para a 360iDev desse ano. Se você é brasileiro e está pensando em ir, fale comigo que temos um desconto de quase 40%.

99

Hoje √© meu √ļltimo dia trabalhando na 99Taxis.

Queria deixar aqui meu sincero agradecimento pela oportunidade e pela confian√ßa dadas a mim. Nesses curtos tr√™s meses tive a chance de trabalhar nessa empresa fant√°stica e de conhecer pessoas que est√£o genuinamente preocupadas em fazer um produto que melhora a vida de milh√Ķes e milh√Ķes de pessoas pelo Brasil.

√Č extremamente gratificante ouvir sempre a mesma resposta quando eu pergunto a um taxista qual √© o melhor aplicativo que ele usa: 99Taxis. E √© igualmente gratificante saber que fazemos um trabalho t√£o bem feito (e, diga-se de passagem, muito superior ao dos nossos concorrentes). √Č uma sensa√ß√£o indescrit√≠vel ter tido a chance de contribuir - um pouquinho que seja - com o sucesso da 99.

Parto em busca de um sonho antigo, mas n√£o sem antes dizer que sinto um orgulho imenso por ter feito parte desse time. Gostaria de agradecer a cada um dos colaboradores dessa empresa fenomenal.

À 99Taxis e todos seus colaboradores: muito obrigado.

Para Frente

H√° exatamente um ano resolvi iniciar uma das miss√Ķes mais importantes da minha vida profissional: co-liderar o CocoaHeads Brasil. H√° exatamente um ano atr√°s, t√≠nhamos zero chapters na Am√©rica do Sul. H√° exatamente um ano atr√°s, depois de uma conversa pelo FaceTime com um cara que eu nem conhecia (e que, claro, se tornou um grande amigo), decidimos dar o pontap√© inicial para os dois primeiros meetups no Brasil: S√£o Paulo e Goi√Ęnia.

Hoje tenho um imenso orgulho da imensa comunidade que ajudei a desenvolver. Hoje somos mais de quinze chapters ativos no Brasil e crescemos a cada mês. Temos na nossa bagagem dezenas de eventos e, principalmente, centenas de pessoas que confiaram no CocoaHeads e cresceram junto com a gente.

A hora, mais do que nunca, é de continuar caminhando para frente. Desbravar novos caminhos, novos desafios e dar oportunidade àqueles que querem e podem contribuir com essa linda comunidade. Apesar do pouco tempo como integrador nacional do CocoaHeads, sinto que meu trabalho neste papel está concluído e quero seguir adiante. A hora, mais do que nunca, é de continuar andando.

Agradeço a todos que fazem parte dessa família e que nos ajudam a ser quem somos. Chapter leaders, membros, entusiastas, parceiros e amigos. Saímos do zero para ser o país com a maior comunidade iOS do mundo. E isso seria impossível sem o imenso e árduo trabalho de todos vocês.

Estarei sempre por perto e sempre presente, mas a partir de hoje n√£o sou mais o integrador nacional do CocoaHeads Brasil.

Um grande abraço e vamos continuar crescendo juntos. Sempre.

On Sale

Estou de mudança e, por isso, estou vendendo algumas coisas. Se você tiver interesse em algo, basta me avisar por e-mail (kogabv@gmail.com), iMessage (brunokoga@me.com) ou no Twitter (@brunokoga). Todos os itens estão comigo em São Paulo.


Monitor Dell Ultrasharp 24 polegadas U2412M

√Č um monitor excelente (mesmo). Pouqu√≠ssimo usado, comprei em setembro de 2014. Aqui tem um link do The Wirecutter dizendo que ele √©, realmente, o melhor monitor da categoria e aqui um link da Amazon com mais detalhes sobre ele.

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B√īnus: al√©m dos cabos VGA e DVI que vem com ele, dou de brinde um cabo Mini DisplayPort -> DisplayPort (ideal para Macbooks).


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Mouse sem fio, com sistema de tracking a laser, que funciona até em mesa de vidro. Foi pouquíssimo usado.

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WWDC 2015

Com a tão esperada divulgação das datas do WWDC 2015, começam os preparativos para a maior conferência de desenvolvedores focadas em plataformas da Apple. Este ano, o evento acontecerá entre os dias 8 e 12 de Junho no já consagrado Moscone West em São Francisco, na Califórnia.

No ano passado a Apple alterou a forma como s√£o disponibilizados os ingressos. At√© 2013 os ingressos eram vendidos √†s primeiras pessoas que conseguissem comprar. Com o crescente aumento de interessados por ingressos, essa forma de venda se mostrou impratic√°vel. Desde 2008 que, a cada ano, os ingressos do WWDC se esgotam (com destaque especial para os anos de 2012 e 2013, em que os ingressos esgotaram em 1 hora e 43 minutos (2012) e em 1 minuto e 11 segundos (em 2013)). A Apple ent√£o decidiu que os ingressos para o WWDC 2015, assim como foi o ano passado, ser√£o vendidos atrav√©s de um sistema de loteria, onde os desenvolvedores devem demonstrar seu interesse de compra e a Apple ir√° sortear aqueles que ter√£o, de fato, direito a comprar o ingresso por m√≥dicos 1599 d√≥lares. Na minha opini√£o, o WWDC se tornou n√£o s√≥ uma confer√™ncia, mas uma s√©rie de eventos que acontecem durante uma semana em S√£o Francisco. Participei das edi√ß√Ķes de 2011, 2012 e 2013 (e fiquei de fora da edi√ß√£o de 2014 por n√£o ter sido sorteado) e n√£o tenho receio em afirmar que 2014 foi o meu melhor "WWDC", mesmo sem ingresso. Este ano j√° estou com passagem e acomoda√ß√£o reservadas e nem sequer vou me inscrever para o sorteio do ingresso.

A experiência de ir para o primeiro WWDC, porém, vale a pena. Se você nunca teve a oportunidade de ir, aconselho sim que você entre na loteria e torça bastante para ser sorteado. Se você já foi em alguma edição anterior ou se sua grana está curta ou se você simplesmente quiser ir para São Francisco mas não fizer questão de ir para o WWDC, eu garanto que a sua semana, mesmo sem ingresso, valerá a pena.

Resolvi escrever esse Guia para a Semana do WWDC inspirado no famoso WWDC First Timer's Guide de Jeff Lamarche. O link para o artigo √© da edi√ß√£o de 2013, mas o Jeff Lamarche escreve esse guia desde 2009. A minha inten√ß√£o √© ajudar todos os brasileiros que est√£o indo para S√£o Francisco em 2015, independentemente de j√° terem ido ou n√£o √† edi√ß√Ķes passadas do WWDC. De qualquer forma, recomendo a leitura do guia do LaMarche para todos aqueles que est√£o indo para a semana do WWDC pela primeira vez. Vamos l√°? :)

Preparativos

1. V√īo

Ao procurar passagens para S√£o Francisco, lembre que a viagem √© longa. Pense bem na(s) escala(s) que vai fazer, pois alguns v√īos podem ser realmente cansativos (com escala em Miami ou Nova Iorque por exemplo). Como n√£o existem v√īos diretos do Brasil √† S√£o Francisco (sigla SFO), a melhor alternativa √© fazer escala em Los Angeles (LAX), mas esses v√īos podem ser mais caros ou dif√≠ceis de achar. Recomendo chegar em S√£o Francisco no s√°bado antes da confer√™ncia (neste ano, dia 6) e ir embora no s√°bado ou domingo (este ano, dias 13 ou 14) - falarei mais sobre as datas no decorrer desse guia. Como qualquer outra viagem, vale a pena prestar aten√ß√£o em programas de milhagem, desconto e parcelamento de passagens e sites agregadores que te d√£o lista de pre√ßo de v√°rias companhias ao mesmo tempo, como por exemplo o Kayak ou o Submarino Viagens.

2. Acomodação

S√£o Francisco √© uma das cidades mais caras dos Estados Unidos e, claro, isso se reflete nos pre√ßos de hot√©is. √Č dif√≠cil encontrar um hotel com di√°ria menor do que 200 d√≥lares. Lembre-se tamb√©m de que as vagas para os hot√©is perto do Moscone West geralmente esgotam e, mesmo que voc√™ esteja disposto a pagar caro, se voc√™ deixar para reservar o hotel na √ļltima hora, pode acabar ficando sem quarto. Eu, particularmente, nem cogito a hip√≥tese de ficar em um hotel: nos 4 anos que fui para S√£o Francisco na semana do WWDC eu fiquei hospedado no San Francisco Downtown Hostel e recomendo ele a todo mundo que quer economizar uma boa grana e mesmo assim ficar num lugar bacana. Voc√™ pode optar por dividir um quarto com pessoas aleat√≥rias ou dividir um quarto com amigos (existem op√ß√Ķes de 2, 4 e 6 camas - quanto mais pessoas em um quarto, mais barato). Se voc√™ n√£o quiser dividir com ningu√©m, voc√™ pode tamb√©m reservar um quarto duplo e ficar sozinho nele. Mesmo nessa √ļltima op√ß√£o, voc√™ vai gastar menos da metade do que gastaria em um hotel. E voc√™ ainda tem chances de conhecer pessoas bacanas de todo lugar do mundo :)
### 3. Dinheiro

Eu gosto da seguran√ßa e praticidade de cart√Ķes de cr√©ditos (que s√£o aceitos em qualquer bimboca de S√£o Francisco) e por isso levo pouqu√≠ssimo dinheiro em esp√©cie comigo. Sempre carrego, claro, alguns d√≥lares (cerca de 200) mas geralmente acabo voltando para o Brasil com boa parte disso. N√£o sou f√£ de Travel Money (n√£o vejo vantagem nenhuma). N√£o esque√ßa que, dependendo do seu banco, talvez voc√™ tenha que desbloquear seu(s) cart√£o(√Ķes) de d√©bito e cr√©dito para poder usar no exterior. E lembre-se: √© sempre muito melhor sobrar do que faltar.

4. A cidade

S√£o Francisco √© uma cidade incr√≠vel. Aproveite a viagem para conhecer alguns pontos tur√≠sticos da cidade. Voc√™ provavelmente ter√° que fazer escolhas e n√£o ter√° tempo para conhecer toda a cidade. Passeios de bicicleta pela Golden Gate at√© Sausalito, o famoso Pier 39, o bairro do Castro e o passeio at√© Alcatraz s√£o apenas algumas sugest√Ķes. Antes de viajar, se organize para ter certeza que vai ter tempo de turistar. Al√©m disso, o clima de S√£o Francisco √© totalmente maluco. Apesar de ser na Calif√≥rnia e de o WWDC ser quase no ver√£o, as noites de S√£o Francisco tendem a ser g√©lidas. Existe uma famosa frase que √© repetida todo ano por l√°: "O inverno mais frio que j√° vivi foi um ver√£o em S√£o Francisco". Leve, no m√≠nimo, um agasalho.

Chegando L√°

Se voc√™ vai ficar em algum lugar perto do Moscone, o modo mais f√°cil de ir e vir do aeroporto √©, sem d√ļvida nenhuma, pelo BART, que √© o metr√ī que vai do aeroporto at√© a regi√£o do Moscone (Power Street Station). Voc√™ consegue comprar os tickets do metr√ī perto da catraca, usando dinheiro ou cart√£o.

Lembre-se que você terá uma semana cansativa pela frente. Aproveite o seu primeiro dia em São Francisco para se livrar do jet-lag, dar uma andada nas redondezas do seu hotel (e garantir que você não vai ficar perdido durante a semana) e fazer coisas sozinho (por exemplo: compras). Uma dica muito importante: não esqueça de beber bastante água. A semana é tão corrida, com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo que acabamos nos esquecendo do básico. Acredite: cedo ou tarde seu corpo irá reclamar.

Você pode querer comprar um chip para ter 4G/LTE por lá. Não é difícil achar uma loja da AT&T e comprar um chip pré-pago com 1 ou 2gb de dados por cerca de 50 dólares. Eu nunca comprei (não faço questão de ter internet 100% do tempo lá), mas muitos brasileiros (e outros estrangeiros) compram assim que pisam em SFO.

Eventos Paralelos

A semana do WWDC √© recheada de eventos paralelos. Oficialmente, a √ļnica festa √© o Bash, na quinta-feira (11). Por√©m v√°rias empresas (Twitter, Facebook, Big Nerd Ranch, Yahoo, Github, etc.) organizam festas e eventos com comidas e bebidas (de gra√ßa) para as pessoas que est√£o na cidade. Essa lista de eventos vai se formando conforme a semana do WWDC vai se aproximando. Pode ter certeza que voc√™ n√£o vai conseguir ir em todas as festas/eventos, ent√£o √© uma √≥tima id√©ia ir se planejando com alguns dias (ou pelo menos algumas horas) de anteced√™ncia. Devido a alta demanda, para muito desses eventos voc√™ precisa fazer um registro antes, ent√£o fique atento.

Além disso, no sábado antes do WWDC (dia 6) irá acontecer uma edição especial do DevBeers para que a brasileirada possa se conhecer. Ano passado organizamos algo parecido (que chamamos de "Encontro de Brasileiros"), mas este ano vamos fazer algo um pouco mais organizado, com comida, bebida e jogos. E, claro, de graça :)

Vale a pena ficar ligado em sites ou apps que agregam essa lista de eventos. √Č dif√≠cil indicar um agora (at√© porque n√£o tem nada definido ainda), mas com certeza eles ir√£o aparecer. Veja aqui um exemplo da quantidade de festas/eventos que acontecem nessa semana.

AltConf

Na minha opinião, o melhor evento da semana inteira (melhor até que o próprio WWDC) é a AltConf, uma conferência organizada pela comunidade que acontece nos mesmos dias do WWDC. No ano passado participei pela primeira vez da AltConf (porque eu não tinha um ticket para a WWDC) e este ano não vou nem me inscrever para o sorteio: vou direto para a AltConf. A AltConf acontecerá na frente do Moscone West, no AMC Metreon, com 3 salas e mais de 1000 lugares. Mesmo que você tenha um ingresso e, principalmente se você não tiver, vale a pena conferir.

O WWDC

Ah, o WWDC.

Badge

Tudo começa com a euforia de retirar o tão sonhado e desejado badge. A partir do domingo pré-evento você já pode pegar seu badge no Moscone junto com seu brinde (geralmente uma jaqueta). Cuide do seu badge com carinho pois a Apple diz que se você perder, ela não te dará outro.

Keynote

Na segunda-feira de manh√£ acontece o famoso Keynote de abertura. A cada ano que passa a fila do Keynote come√ßa a se formar mais cedo. Ano passado j√° tinha gente na fila no domingo antes do meio dia (os port√Ķes s√£o abertos Segunda por volta das 9 da manh√£!). Se voc√™ est√° indo para o WWDC pela primeira vez vale a pena ir para o Keynote. Recomendo que voc√™ v√° para fila por volta da meia noite de domingo para segunda. √Č importante voc√™ ir com amigos e com agasalhos. Algumas pessoas levam cadeiras dobr√°veis, barracas de acampamento, caixas de som, baterias extras e jogos. Afinal, voc√™ vai passar umas boas 8 horas ali sem ter muito o que fazer. Caso voc√™ n√£o queira passar por isso, n√£o esque√ßa que o Keynote √© transmitido ao vivo e voc√™ pode assistir confortavelmente em outro lugar (No escrit√≥rio do Twitter ou na AltConf, por exemplo).

Sessions

A minha maior dica aqui √©: veja as sessions que realmente te interessam. Muitas pessoas tentam ver o maior n√ļmero de sessions poss√≠vel e isso acaba sendo meio in√ļtil, pois no final do dia o seu c√©rebro n√£o consegue assimilar tudo que voc√™ viu. Eu n√£o recomendaria assistir mais do que 2 ou 3 sessions por dia (e, de novo, lembre-se: elas estar√£o dispon√≠veis para download possivelmente no mesmo dia*). Sinceramente, hoje em dia n√£o vejo mais muita vantagem em ir para o WWDC e assistir as sessions pessoalmente.

() No site oficial do WWDC est√° escrito que neste ano as sess√Ķes ter√£o streaming ao vivo!_

Labs

Os Labs s√£o, sem d√ļvida nenhuma, o ponto mais importante do WWDC. S√£o nos Labs que voc√™ ter√° a (rar√≠ssima) oportunidade de abrir seu c√≥digo para um especialista da Apple e tentar aniquilar de vez aquele bug que te atormenta a meses ou discutir em detalhes minuciosos alguma API ou biblioteca da Apple. Se voc√™ estiver com problemas de Core Audio, voc√™ vai conseguir falar diretamente com os engenheiros que o desenvolvem. Se voc√™ tiver problemas com o Instruments, poder√° falar diretamente com a equipe respons√°vel pelas ferramentas de desenvolvimento da Apple. E por a√≠ vai. N√£o perca a chance de frequentar os Labs o m√°ximo que puder. Na minha opini√£o, √© aqui que est√° 90% do valor do WWDC.

√öltimas Dicas (ou: Seja Legal)

Nos meus dois primeiros anos de WWDC fui um babaca. Por algum motivo, fiz questão de ignorar a existência dos outros brasileiros por lá e de compartilhar pouquíssima informação, como se eu fosse o dono da verdade, sem me importar com os outros.

Ano passado, vi muitos brasileiros com essa mesma atitude e por isso fa√ßo quest√£o de escrever aqui: n√£o seja um babaca. Aproveite a semana do melhor jeito poss√≠vel: conhe√ßa pessoas novas, troque informa√ß√Ķes, tire suas d√ļvidas, cres√ßa como pessoa e como profissional e ajude aqueles que precisam de ajuda e querem ser ajudados. Participe dos eventos (principalmente do devbeers brazuca!), divirta-se e ajude os outros a se divertirem.

Lembre-se que, tecnicamente falando, esta √© uma semana √ļnica no ano. Em um raio de 5 quil√īmetros v√£o estar um imenso n√ļmero de pessoas que fizeram os aplicativos e os produtos que usamos no dia-a-dia. Se voc√™ admira algum desenvolvedor internacional e quer conhec√™-lo pessoalmente, essa √© sua chance. Aproveite para treinar seu ingl√™s. Se voc√™ usa algum app que mudou a sua vida, aproveite para procurar as pessoas que o desenvolveram e agrade√ßa-os. Aproveite para conversar com desenvolvedores da regi√£o ou de outros pa√≠ses. Se voc√™ est√° procurando um emprego, aproveite para conversar com recruiters (eles est√£o por toda parte!). As vezes √© dif√≠cil manter o foco com tanta coisa acontecendo, com tanta comida e bebida de gra√ßa e uma cidade t√£o divertida, mas n√£o se esque√ßa que essa √© sua chance de voltar ao Brasil muito maior, tanto como pessoa quanto como profissional.

Uma ótima semana de WWDC a todos nós!

Adeus, Ginga

Entrei aqui pela primeira vez e ouvi que esse era um lugar diferente. Havia cervejas importadas liberadas para os funcionários, pebolim e video-game a vontade. O horário era flexível e quinta-feira era o dia oficial do futebol. Apesar de muito organizada, a descontração era uma característica forte e algo que estava "no DNA da empresa".

E, durante alguns dias, vi que as coisas eram diferentes mesmo. Após o expediente, antes de voltar para casa, eu pegava uma cerveja e relaxava depois de um cansativo dia de trabalho. Depois do almoço ou no meio da tarde, uma partidinha de video-game era de lei para descontrair a mente. Idéias de melhoria e inovação eram sempre bem-vindas. A capacitação dos funcionários era, claro, algo altamente apreciado. Duas vezes por mês tínhamos nossas Innovation Sessions, onde a empresa toda parava para discutir novas idéias e tecnologias que podíamos utilizar no nosso dia-a-dia.

De março a abril desse ano fiz uma viagem para a Europa e fiquei trabalhando remoto durante esse tempo. Foi aí que a organização da empresa começou a se mostrar frágil. A falta de contato, de interesse e do empenho na comunicação fizeram com que esses meses não fossem aproveitados (nem por mim, nem pela empresa) como deveriam.

Foi aí que tudo começou - ou que, pelo menos, comecei a perceber. Descobri que as partidinhas de video-game no meio da tarde eram vistas com maus olhos. As cervejas foram restritas a apenas 1 vez por mês e o pebolim agora fica do lado da mesa do chefe. Como era de se esperar, as innovation sessions foram substituídas por task-forces e, com o tempo, a geladeira de cervejas se foi, assim como o video-game. Se foi também o controle remoto da TV, que foi escondido pelo dono da empresa após o escritório parar por 30 minutos para assistir o emocionante jogo da Argentina x Suiça pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Se foram também os momentos descontraídos, as risadas e a vontade de ser algo mais além de uma empresa quadrada. Almoços deixaram de ser momentos de descontração para serem apenas uma pausa para se alimentar.

A história de capacitação era, claro, mentira. Ao anunciar que eu decidira ir ao WWDC esse ano (pagando tudo do meu bolso, claro), fui intimado e coagido. Tive que, além de pagar todos os custos, usar dias de férias para ir ao WWDC. Dizer que é a maior e mais importante conferência para mim (e para quase todos que desenvolvem para os dispositivos da Apple) não ajudou em nada. O que eu ouvi é que eu estava deixando de trabalhar para viajar.

Estou abrindo mão de muita coisa para sair, mas não tenho porque ficar. Tenho sorte de viver em uma época que o meu trabalho é valorizado e de existirem empresas que querem me dar uma das coisas que mais me motivam nessa profissão: um ambiente de trabalho onde as pessoas realmente gostem do que façam e que o trabalho bem feito seja consequência disso. Um lugar onde ficar trabalhando até mais tarde seja um prazer e não uma obrigação. Um lugar onde os chefes não escondam os controles remotos.

Backup

Em 2012 fiz a minha primeira viagem para St. Louis. Nessa época eu ainda não sabia que ia passar a maior parte de 2013 nesta estranha, mas de certa forma simpática, cidade do Mid-West americano. Eu conhecia muito pouco sobre St. Louis e não sabia como eu ia me virar nos primeiros dias que eu estivesse por lá. Tudo correu muito bem, graças a ajuda e companhia de um grande amigo meu, o Mogames que estava viajando comigo.

Depois de alguns dias na cidade, ele me mostrou um v√≠deo que ele estava gravando durante a viagem. Ele tinha rec√©m apoiado um projeto no Kickstarter de um app chamado One Second Everyday e o esse projeto tinha sido realizado, o aplicativo foi desenvolvido e estava dispon√≠vel na App Store. A id√©ia do app era bem simples: de gravar pelo menos 1 v√≠deo por dia para que, mais tarde, fosse editado para ter apenas um segundo de dura√ß√£o. Depois fazia-se um v√≠deo juntando esses v√≠deos de um segundo. √Č isso. Um segundo por dia. No site do aplicativo tem um v√≠deo muito legal, d√° uma olhada l√°.

Nunca fui o maior fã de tirar fotos, mas achei a idéia de fazer o vídeo interessante e me planejei para fazer um também. E, claro, deixei a idéia de lado.

Em setembro de 2013, ainda "morando" em St. Louis, comecei a fazer os planos para o primeiro semestre de 2014 e resolvi passar dois meses na Europa. E como o ano de 2014 prometia ser um ano bastante viajado, me planejei para gravar um vídeo de um segundo por dia. Yay!

Poucas vezes tive tanta disciplina para realizar algo di√°rio como desta vez para gravar os v√≠deos. Coloquei dezenas de alarmes todos os dias (e n√£o sou o maior f√£ de notifica√ß√Ķes e alarmes no celular) e me for√ßava para gravar pelo menos um v√≠deo a cada dia, mesmo que fosse da coisa mais simples ou rotineira. Queria manter o h√°bito de gravar todos os dias (o v√≠deo fica mais legal quando n√£o se esquece de gravar nenhum dia).

Me orgulho de não ter esquecido nenhum dia. Gravei o primeiro dia do ano, gravei os meus primeiros dias de trabalho na Ginga, a visita que fizemos ao meu pai em Teresina, a viagem para a Europa - as três conferências que eu fui, as cinco semanas que passamos em Amsterdã, os dias em Barcelona. Além disso, acabei viajando mais do que eu a princípio havia planejado e ainda no primeiro semestre fui para Montevidéu e para San Francisco. Outro evento interessante que estava fazendo o vídeo ficar legal é que esse ano teve Copa do Mundo no Brasil.

Eu estava esperando completar o ano inteiro para compartilhar o vídeo para quem quisesse ver. Só que no fim de Junho, roubaram meu iPhone. Isso mesmo. Roubaram meu iPhone.

N√£o interessa se os ladr√Ķes estavam ou n√£o armados, n√£o interessa se dava para correr. Eu jamais reagirei a um assalto. No final das contas, eu estava carregando algumas coisas que dariam mais trabalho para mim de conseguir comprar novamente, como meus fones de ouvido e, sinceramente, sa√≠ no lucro.

Depois do assalto, peguei um táxi para casa (nessa época eu morava com os pais da Marília, ali perto da Lapa) e fui direto no Mac apagar meu iPhone remotamente (odeio usar senha no iPhone e por isso ele estava totalmente destravado). Passado o susto, o dia foi voltando à sua normalidade. Lembrei então de gravar o meu vídeo do dia.

N√£o consegui, claro. N√£o tinha mais a minha c√Ęmera e o pior de tudo, n√£o tinha mais os v√≠deos passados. Estava tudo gravado unicamente no meu iPhone.

Nunca tive o hábito de fazer backup. No ano passado, comecei a subir as fotos no Flickr apenas pelo fato de eu não ter espaço (nem vontade) para armazenar todas as fotos no computador ou no iPhone. Por não ter uma internet decente, porém, não era tão comum eu fazer o mesmo para os vídeos. Era isso, não tinha para onde fugir: eu tinha perdido meus vídeos para sempre. Não tinha o que fazer. Era bola para frente e aprender com essa lição.

Fiquei cerca de uma semana sem celular e peguei emprestado um outro iPhone 5 com um grande amigo meu. O aparelho era similar ao que eu tinha, porém com 16gb de armazenamento ao invés de 32. Resolvi que não ia comprar outro iPhone (até porque em Setembro tudo indicava que o iPhone 6 seria lançado) e uso ele até hoje.

At√© ontem ele estava rodando uma vers√£o beta do iOS 8, por que n√£o estava f√°cil liberar cerca de 5gb que precisava para instalar a vers√£o final e eu n√£o estava conseguindo fazer backup pelo iTunes. Tentei em 4 computadores diferentes (rodando tanto o Mavericks como a vers√£o beta do Yosemite) mas o resultado era sempre o mesmo: o backup falhava, claramente por algum bug no iOS 8 beta. E o pior de tudo: eu estava recebendo notifica√ß√Ķes da Apple avisando que aquela vers√£o beta do iOS ia expirar.

Acabei comprando 20gb de espaço no iCloud por $0.99 e fazendo backup pro iCloud (que deu certo). Ao invés de baixar o iOS 8 pelo próprio iPhone, baixei pelo site da Apple e fiz a instalação pelo iTunes (o que me poupou de ter que liberar 5gb no aparelho). Para a minha supresa, não precisou formatar o iPhone e por isso nem precisei usar o backup.

Por causa de todo esse problema em fazer o backup, acabei lembrando de um fato engra√ßado que aconteceu quando a gente estava em Barcelona no come√ßo do ano, logo ap√≥s a √ļll e antes da UIKonf. Essa era a terceira vez que est√°vamos Barcelona visiando nossos grandes amigos Bruno e Paulets. O Bruno tinha acabado de trocar o iPhone 5 dele de gra√ßa porque a Apple estava fazendo um recall por causa de um problema com o bot√£o de ligar/desligar do aparelho. Como eu tinha comprado meu iPhone l√° em Barcelona em 2012 (e porque eu gosto de trocar minha coisas por coisas mais novas de gra√ßa), levei meu iPhone para ser trocado tamb√©m (nessa √©poca, eu n√£o tinha sido roubado ainda). O Bruno me avisou para fazer um backup antes de ir na Apple, pois assim, caso eles quisessem trocar o aparelho na hora, o processo seria mais r√°pido. Pela primeira vez na hist√≥ria, fiz um backup do meu iPhone no Mac.

Fomos na Apple, mas, no final, não consegui trocar meu iPhone. Me disseram que teriam que trocar apenas o botão de ligar/desligar e não o aparelho inteiro, e por isso eles teriam que ficar com o iPhone por uma semana. Só que dali três dias estaríamos embarcando para Berlim. Acabei ficando com o iPhone do jeito que estava mesmo (ou seja, em estado perfeito, já que eu não tinha problema nenhum com o botão, só queria trocar por um novo). Vida vai, vida vem, fui roubado e aqui estou.

At√© que... ei, espera! √Č isso mesmo! Eu fiz um backup do meu iPhone em maio desse ano! Isso significa que se eu restaurar o backup, todos os meus v√≠deos e fotos que tirei no come√ßo do ano estar√£o l√°! Hmm, ser√° que estar√£o mesmo? Como funciona o backup do iPhone? Ele salva todas as fotos e v√≠deos ou apenas os dados dos apps?

Por curiosidade (e com o √ļnico intuito de de resgatar meus v√≠deos de um segundo), hoje de manh√£ tentei restaurar o backup no meu iPhone, mas n√£o consegui. Meu iPhone antigo tinha o dobro da capacidade de armazenamento do atual e por isso n√£o tenho espa√ßo livre para restaurar o backup.

Pensei então em todas as pessoas para quem eu possa pedir um iPhone de 32gb emprestado apenas para dar uma formatadinha, mas não me vieram muitos nomes à cabeça.

Como bom programador que sou, recorri ao iExplorer, uma ferramenta que te ajuda a explorar o sistema de arquivos do iPhone. Para a minha surpresa, o programa já tem uma funcionalidade de explorar backups do iTunes. Sempre usei a versão demo e hoje tomei vergonha na cara e paguei o valor pela licença do app. Aliás, comprei o Ultimate e tenho 4 licenças para quem quiser.

Sinceramente não estava com muitas esperanças de achar os vídeos. Na época que eu estava gravando os vídeos todos os dias, eu acabava gravando muitos vídeos e, depois de importar um segundo para o app, eu acabava deletando original (afinal, eu tinha gravado apenas para pegar um segundo mesmo). E não acreditava que eu iria conseguir recuperar os clipes de um segundo de dentro do app, juntá-los de alguma forma e fazer o vídeo completo novamente.

Usando o iExplorer, descobri que no dia 3 de Maio, por algum motivo que desconhe√ßo (provavelmente para mostrar o v√≠deo para o Bruno e/ou para a Paulets), eu "compilei" todos os clipes que tinha gravado at√© aquele dia e salvei o v√≠deo final no rolo da c√Ęmera do iPhone. Procurando pelas fotos e v√≠deos nesse √ļnico backup que eu tinha eu achei esse v√≠deo. Eu achei esse v√≠deo. Eu. Achei. Esse. V√≠deo.

Vocês não tem noção da felicidade que eu estou sentindo agora.

Modo Avi√£o

Todo mundo já viu, observou e com certeza já reclamou de alguém que fica o tempo todo no celular. Quem nunca ficou olhando torto para aquele cara que sai pra almoçar e não solta o telefone nem para segurar o garfo? Quem nunca deu risada daquele grupo de amigas que vão para um bar juntas mas praticamente não conversam a noite inteira, cada uma entretida no seu celular?

J√° fazem uns bons 10, 12 meses que eu uso o meu celular no modo do not disturb 100% do tempo. Fiz isso com a inten√ß√£o de ser menos passivo em rela√ß√£o √†s centenas de notifica√ß√Ķes que recebo por dia (uns 95% disso devem ser mensagens de texto).

Comecei deixando o celular sempre no modo silencioso, desativando praticamente todas as notifica√ß√Ķes e deletando os apps que consumiam muito do meu tempo e n√£o me traziam nenhum benef√≠cio (Facebook, Instagram, Whatsapp s√£o os grandes vencedores). Com o tempo percebi que o modo silencioso n√£o ajudava muito, j√° que o fato de o celular vibrar me chamava tanta a aten√ß√£o quanto ele tocar. Resolvi deix√°-lo no DND. Maravilha.

√Č curios√≠ssimo como passamos a ser dependentes de receber e ler notifica√ß√Ķes (e o pior: de ficar esperando por elas!). No Google I/O desse ano, foi falado que usu√°rios de Android tiram o telefone do bolso cerca de - pasmem - 125 vezes por dia. Deixando o meu celular no DND fez com que eu prestasse mais aten√ß√£o em como as pessoas perdem realmente muito tempo checando se existem notifica√ß√Ķes novas (que na grande maioria das vezes s√£o totalmente dispens√°veis).

O pr√≥ximo passo para mim √© n√£o ficar constantemente conferindo se existem notifica√ß√Ķes e/ou mensagens novas. Como meu celular est√° sempre no DND, eu preciso ativamente checar se n√£o recebi nada importante e isso faz com que, num almo√ßo com amigos por exemplo, a cada 20 segundos de pausa na conversa ou a cada ida ao banheiro eu tire o celular do bolso para ver se tem algo novo. Geralmente n√£o tem.

Essa semana comecei a deixar o celular no Airplane mode sempre que estou interagindo com pessoas. Seja um almo√ßo, uma reuni√£o, um bar com os amigos, o meu celular vai conseguir receber liga√ß√Ķes e, principalmente, conectar na internet. Aconselho voc√™ a tentar fazer isso. Voc√™ n√£o vai acreditar nos resultados.

Se quiser ler outro texto sobre esse assunto, recomendo o post Airplane Mode do Patrick Rhone, no minimalmac.com (em inglês).

Sobre pessoas

Comecei a ler ontem o Player's Handbook (Livro dos Jogadores) da quinta edi√ß√£o de Dungeons & Dragons. Embora n√£o seja o maior nem o melhor jogador de RPG do mundo, jogo D&D com um grupo de amigos desde os meus 14, 15 anos e ultimamente, por dificuldades geogr√°ficas¬Ļ, temos jogado usando Google Hangouts e Roll20, inspirados pelo pessoal do Total Party Kill.

O prefácio do livro é ótimo. Tomei a liberdade de extrair e traduzir um trecho que resume bem o motivo de eu gostar tanto de jogar RPG:

Para jogar D&D, e para jog√°-lo bem, voc√™ n√£o precisa ler todas as regras, memorizar cada detalhe do jogo ou ser mestre na fina arte de rolar esses dados estranhos. Nenhuma dessas coisas tem import√Ęncia no que √© melhor nesse jogo.
> O que você precisa são duas coisas, a primeira sendo estar com amigos que você possa compartilhar o jogo. Jogar com seus amigos é muito divertido, mas D&D fas algo mais além de entreter.
> Jogar D&D é um exercício de colaboração criativa. Você e seus amigos criarão histórias épicas cheias de tensão e um drama memorável. Vocês criarão piadas internas que farão vocês rirem anos depois. Os dados serão cruéis mas você os derrotará. Sua criatividade coletiva irá construir histórias que você contará novamente e novamente, alternando dos maiores absurdos aos atos lendários.
> Se os seus amigos n√£o se interessam por jogos, n√£o se preocupe. Existe uma qu√≠mica especial nas mesas de D&D que √© diferente de tudo. Jogue com algu√©m o suficiente e voc√™s dois provavelmente terminar√£o amigos. √Č um efeito colateral legal do jogo. Seu pr√≥ximo grupo de jogadores pode estar t√£o perto de voc√™ quanto a loja de jogos mais pr√≥xima, f√≥rum online ou conven√ß√£o de jogos. Semana passada aconteceu uma das maiores confer√™ncias de desenvolvimento para iOS e Mac do mundo: a [360iDev](http://360idev.com), em [Denver](https://www.google.com.br/maps/preview?client=safari&oe=UTF-8&ie=UTF-8&fb=1&gl=br&sll=39.737567,-104.9847179&sspn=1.6234431,2.8165114&q=Denver,+CO,+USA&ei=YokEVKeXAdenyATuu4KYBw&ved=0CKQBEPIBMA8), nos Estados Unidos. Ano passado, por uma s√©rie de felizes coincid√™ncias, pude participar dessa mesma confer√™ncia. Gostei tanto que esse ano resolvi voltar (e trazer alguns amigos). Logo ap√≥s a [AltConf](http://www.altconf.com) em junho passado, conversei rapidamente com o [John](https://twitter.com/jwilker) ([organizador das confer√™ncias 360](http://www.360conferences.com)) e consegui um bom desconto para levar brasileiros a edi√ß√£o desse ano. Fomos em grupo de 12 brasileiros no total. Alguns mais experientes, outros que nunca haviam sa√≠do do Brasil antes. Dividimos os mesmos v√īos, o mesmo hotel. Participamos da confer√™ncia e aprendemos muito com ela. Exploramos a cidade, bares, pontos tur√≠sticos e tenho certeza que todos tiveram uma √≥tima experi√™ncia e voltaram para o Brasil com √≥timas lembran√ßas dessa viagem. √Č engra√ßado como as sess√Ķes de D&D se parecem muito com as confer√™ncias que tenho ido nos √ļltimos meses. Tanto no jogo quanto nas confer√™ncias, o que importa mesmo s√£o as pessoas que est√£o ali e o quanto elas querem criar, juntas, experi√™ncias √ļnicas e memor√°veis para todo mundo. Encontrar velhos amigos, conhecer novas pessoas e juntos criarem um ambiente onde todo mundo possa se divertir aprender. √Č muito dif√≠cil explicar para algu√©m que nunca jogou D&D o quanto o jogo pode ser legal. √Č igualmente dif√≠cil explicar para algu√©m que nunca foi numa confer√™ncia como ela pode mudar a sua vida. A 360iDev esse ano foi demais. Obrigado a todos os brasileiros foram a 360iDev desse ano¬≤. Espero que a experi√™ncia tenha valido a pena para voc√™s, da mesma forma que valeu para mim. Obrigado John pelo apoio. Vai treinando seu portugu√™s, pois ano que vem estaremos de volta. (Se voc√™ √© brasileiro e tem vontade de ir a confer√™ncias fora do pa√≠s mas n√£o sabe por onde come√ßar, adoraria ajudar :) ------- ¬Ļ Eu em S√£o Paulo, O Yum√™ em Sert√£ozinho, O Pitomba em Fortaleza, o Kim que estava em Caxias do Sul mas mudou pro Rio e o Bruno em Barcelona. ¬≤ [Marcelo](https://www.facebook.com/fabri.marcelo), [Marcelo](https://www.facebook.com/mds2k01), [Gustavo](https://www.facebook.com/gugagus), [Gustavo](https://www.facebook.com/gustavocsb), [Bruno](https://www.facebook.com/bguidolim), [Bruno (eu)](https://twitter.com/brunokoga), Mar√≠lia, [Juliana](https://www.facebook.com/juliana.chahoud), [Guilherme](https://www.facebook.com/gmsampaio), [Christian](https://www.facebook.com/christian.sampaio.52?fref=ts), [Rafael](https://www.facebook.com/rafael.valim.52?fref=ts) e [Tales](https://twitter.com/talesp).

Casa Digital em Chamas - Uma Lição sobre Deixar para Trás

esse texto √© uma tradu√ß√£o livre do post Digital House Burning ‚Äď A Lesson in Letting Go de Jessica Dang no seu blog Minimal Student.

Você já perdeu um disco rígido?

√Č o equivalente digital ter a sua casa em chamas. De uma hora para outra voc√™ perde parte do seu trabalho, arquivos, documentos e mais dolorosamente, suas fotos. Se foram. Para sempre.

Isso aconteceu comigo a um ano atr√°s. Eu ainda tenho algumas das coisas mais importantes salvas em algum lugar, mas perdi a maior parte de aproximadamente seis anos de documentos.

Na hora, perder tantos dados fez-me sentir como perder parte da minha vida. Coisas que criei durante esse tempo, as horas que eu me dediquei em escrever, editar e salvar todas as coisas, para que um dia eu pudesse ver e relembrar, se foram.

Um ano depois, como eu me sinto?

Em uma palavra, contente.

√Č isso mesmo. Me sinto bem. A parte minimalista de mim deveria ter sabido que eu me sentiria assim. Eu n√£o sinto falta de nada e minha vida n√£o entrou em colapso por causa disso.

As coisas que eu pensei que eram t√£o importantes um ano atr√°s n√£o importam tanto para mim agora. E eu imagino que daqui um ano, elas v√£o importar ainda menos.

Eu acredito fortemente que as tudo acontece por um motivo (ou que, pelo menos, as pessoas deveriam tentar achar li√ß√Ķes nas coisas que acontecem com elas) e perder as minhas coisas n√£o foi diferente.

Para mim, essa foi uma lição sobre deixar para trás.

Nós vivemos em uma época onde podemos salvar tudo nas nossas vidas. Podemos registrar momentos que supostamente durariam um segundo e mantê-los para sempre. Embora isso seja bom em alguns pontos, também pode ser negativo em outros. Nós podemos lembrar de nos sentir nervosos, irritados ou tristes com com algo ou alguém e nesse momento lembrar realmente do porquê.

Minha casa digital em chamas foi uma limpeza, em partes. Me permitiu começar de novo. Sabendo que as coisas que capturamos são apenas um retrato de cada momento, eu fui capaz de aproveitar cada momento melhor.

Ao invés de me preocupar em tirar fotos a cada vez que eu viajava, eu parei para falar com pessoas e apreciar as vistas, sons e aromas dos lugares que eu fui.

Livre da bagagem do meu passado, eu fui capaz de focar melhor em criar trabalhos novos. Eu cresci e melhorei de tantos modos nesses √ļltimos seis anos e me apegar a coisas antigas n√£o ia ajudar meu progresso a continuar.

Sim, √© dif√≠cil de superar uma casa digital em chamas. Eu n√£o estou dizendo que as pessoas deveriam come√ßar a tacar fogo nos seus discos r√≠gidos (e agora eu mantenho um segundo disco r√≠gido e tamb√©m fa√ßo backup na nuvem) ou parar de tirar fotografias. Na verdade, eu sou uma grande defensora de manter di√°rios para reflex√Ķes. Mas o que eu estou dizendo √© isso. Mesmo se certas coisas pare√ßam importantes para n√≥s agora, no final das contas √© apenas uma coisa. Se n√≥s a perdemos, n√≥s todos temos a for√ßa dentro de n√≥s para superar isso.

Um dia, as coisas sentimos ser tão preciosas para nós irão embora. Até lá, vamos cultivar o pensamento de focar mais em coisas que nós temos, ao invés de coisas que nós perdemos.

Aprenda a deixar para trás. E no final, você vai ficar bem.

Ilha Solteira - Parte 0

Existe uma hist√≥ria que eu sempre quis contar, mas nunca consegui. √Č a hist√≥ria da maior aventura da minha vida.

Já tentei contá-la e escrevê-la dezenas de vezes, mas sempre acabo me perdendo nos detalhes e nas lembranças de tudo que aconteceu.

Achei alguns textos que escrevi em 2008 contando como foram esses dias que eu e tr√™s amigos decidimos sair de S√£o Carlos at√© a Ilha Solteira de carona, com os bolsos praticamente vazios para ir a um festival de m√ļsica. J√° postei esses textos em algum lugar no passado, mas quero tentar rescrev√™-los e contar detalhes de como foram esses dias. Me conhe√ßo bem: sei que se eu tentar escrever tudo de uma vez antes de publicar, ningu√©m jamais ler√° essa hist√≥ria. Vou public√°-la em partes - n√£o necessariamente na ordem que os fatos aconteceram. Vou tentar lembrar e escrever todos os detalhes dessa viagem e, como j√° fazem 6 anos, muitas dessas lembran√ßas podem ter sido enfeitadas ou at√© mesmo inventadas pela minha mem√≥ria. Mas n√£o quero, tamb√©m, que isso seja outra desculpa para eu n√£o escrever.

Espero que gostem. Essa é mais uma tentativa de contar essa história maluca.

##Ilha Solteira - Parte 0

Nos dias 12, 13 e 14 de Setembro aconteceu o Festival InterUNESP de M√ļsica. Eu s√≥ tinha ouvido falar desse festival uma vez, pelo Bobby, no ano passado. Este ano ele resolveu me convidar e eu consegui agitar uma turma pra ir. O festival ocorre anualmente, na Ilha Solteira, que √© uma ilha fluvial, situada no Rio Paran√°, na divisa com o Mato Grosso do Sul. N√£o sab√≠amos muito mais do que isso. A id√©ia era achar um lugar pra acampar por l√°. Eu (junto com a Veri, a Keylla e a Monic√£o) √≠amos, a princ√≠pio, de √īnibus (da UNESP Rio Claro) e gastar uns bons 100 reias com a viagem. O Thiago, a Gabi, o Lucas e a Mar√≠lia iam, aos pares, tentar pegar carona na estrada.

Naquela época eu estava no meu segundo ano de faculdade: após passar 2 anos no Japão, voltei em junho de 2006 e prestei vestibular para Informática na USP de São Carlos, uma cidade até então praticamente desconhecida para mim. Cursei o primeiro semestre e, por um ou outro motivo, tranquei o segundo. Voltei em 2008, com o currículo atrasado. Durante o terceiro semestre cursei 8 disciplinas (3 a mais do que o normal) e eu estava, então, no quarto semestre, cursando 9 disciplinas.

J√° est√°vamos com tudo pronto (na medida do poss√≠vel) para a nossa aventura. Por√©m, dois dias antes da viagem, o Lucas me disse que a Mar√≠lia n√£o ia mais e que ele precisava de algu√©m pra ir (tentar) pegar carona com ele. Eu tinha provas da faculdade na segunda e na ter√ßa e, pela seguran√ßa da volta, preferia ir de √īnibus. Mas o Lucas me convenceu a ir com ele. E essa tamb√©m acabou sendo a minha √ļnica chance de ir j√° que, n√£o lembro exatamente o motivo, eu estava sem dinheiro e n√£o ia conseguir pagar o √īnibus da UNESP (e, no fim, a Keylla, a Monic√£o, a Veri com mais um conhecido (o Love) acabaram rachando as despesas e indo de carro com o Gilson).

Desprendimento

Quando voltei da minha segunda viagem ao Jap√£o, em mar√ßo de 2008, uma inusitada surpresa esperava por mim na rep√ļblica¬Ļ em que eu morava em S√£o Carlos: todas as minhas roupas haviam sumido! Todas. Antes de ir passar 3 meses em Toyota, em dezembro de 2007, deixei todas os meus pertences (roupas, na grande maioria) guardadas em um s√≥ lugar, pois n√≥s, da rep√ļblica, est√°vamos de mudan√ßa para uma casa maior e as pessoas que moravam comigo iam levar minhas coisas para a casa nova. Quando voltei, ningu√©m sabia onde estavam as minhas roupas!

Nessa √©poca, eu morava em uma casa de tr√™s quartos com mais sete pessoas. At√© hoje ningu√©m conseguiu me explicar direito o que aconteceu, mas a verdade √© que eu estava ali, com apenas algumas pe√ßas de roupa e nenhuma vontade (nem dinheiro) para comprar mais. Ent√£o, a partir desse dia todos os meus pertences passaram a ser apenas o conte√ļdo de duas pequenas malas e uma mochila, que eram tudo que eu tinha trazido de volta do Jap√£o. Depois de passado o estresse inicial (que n√£o foi pouco), me dei conta de que em nenhum outro momento da minha vida me senti t√£o leve. A falta de possuir bens materiais me deu uma sensa√ß√£o de liberdade, de estar pronto para viajar (ou me mudar) para qualquer lugar em quest√£o de minutos. Afinal, n√£o tinha o que levar. Comecei a procurar na internet pessoas que viviam de modo parecido. Conheci blogs e principalmente pessoas que me trouxeram inspira√ß√£o para viver essa vida "minimalista", com mais foco no presente e nas experi√™ncias. Passei a prestar mais aten√ß√£o na hora de comprar (ou mesmo desejar) qualquer tipo de bem. Passei tamb√©m a refletir melhor antes de gastar o meu dinheiro. Viver desse modo tem me trazido oportunidades de viajar pelo mundo que tenho certeza que n√£o conseguiria se tivesse tantas coisas me prendendo em algum lugar. Desde 2008, al√©m do Jap√£o e S√£o Carlos, j√° morei em S√£o Paulo, Campinas, St. Louis e agora estou de volta a S√£o Paulo. Tamb√©m consegui ter tempo e dinheiro para conhecer e visitar cidades pelo Brasil e pelo mundo, como Fortaleza (2009 e 2012), San Diego e Los Angeles (2011), Navegantes, Blumenau e Balne√°rio Cambori√ļ (2011), S√£o Francisco (2011, 2012, 2013), Nova York (2012), Denver, Chicago (2013), Barcelona (2012 e 2013), Munique (2012), Amsterdam (2013) al√©m de diversas cidades no interior e litoral paulista. M√™s que vem estou indo passar dois meses para participar de tr√™s confer√™ncias na Europa. Muitas pessoas olham para mim como se eu fosse rico ou falam com admira√ß√£o: "Nossa, voc√™ tem muita sorte de conseguir fazer isso". Aprendi que somos capazes de fazer qualquer coisa e que o dinheiro quase nunca √© o problema. √Č claro que existem exce√ß√Ķes, mas na grande maioria dos casos as pessoas deixam de aproveitar a vida por priorizar a aquisi√ß√£o de pertences, o que gasta n√£o s√≥ dinheiro, mas muito tempo tamb√©m.

Tudo que precisei para planejar essa viagem, que para mim √© a realiza√ß√£o de um sonho, foi vontade, determina√ß√£o e planejamento. Desde 2008 me vigio constantemente para n√£o gastar dinheiro com coisas que v√£o me prender em algum lugar (ou que v√£o dificultar a minha vida, caso eu deseje sair daquele lugar). Al√©m disso me organizo para que eu seja 100% capaz de fazer meu trabalho de praticamente qualquer lugar do mundo. Para essa minha viagem √† Europa, precisei vender meu carro (e agora dependo 100% de transporte p√ļblico) mas n√£o me arrependo e, inclusive, √© algo que aconselho a todos.

Nos apegamos √†s coisas com uma facilidade que √© dif√≠cil at√© de admitir. Tente pensar na sua vida sem seu carro, sem m√≥veis no quarto, ou mesmo sem um quarto s√≥ para voc√™. As vezes gosto de pensar no que seria da minha vida se um dia eu perdesse tudo que √© material. O que voc√™ faria? N√£o √© a falta de dinheiro - nem de tempo - que te impede de realizar seus sonhos. √Č voc√™.

¬Ļ N√£o sei se "rep√ļblica" √© um termo muito comum. De qualquer modo, segue o link da Wikipedia para "rep√ļblica estudantil".

PS. Se voc√™ quer saber mais, recomendo esses tr√™s sites abaixo o primeiro √© em portugu√™s, os dois √ļltimos em ingl√™s.

Vida Minimalista. Lá você também vai encontrar também uma sessão de links para outros ótimos sites. Minimal Student. * Zen Habits.

Consequências

Hoje fui parado no meio da rua para dar uma informação.

Devido aos recentes acontecimentos fiquei com medo. Cogitei não parar para ajudar. Cogitei até sair correndo.

Parei, ouvi a pergunta e dei a informação. Ouvi um muito obrigado e recebi um sorriso como resposta.

Fiquei pensando se eu pararia para dar a informação se fossem dois caras em cima de uma moto. E a minha primeira resposta foi não.

E se fosse uma pessoa negra? E se fosse algu√©m pobre, mal-vestido? Ser√° que parei apenas porque era uma menina? √Č esse tipo de julgamento que quero fazer? √Č esse tipo de pessoa que quero me tornar por ter sido assaltado?

N√£o aconteceu nada

Todos os dias facŐßo o mesmo trajeto a caminho da empresa que trabalho. Da academia ando cerca de 30 minutos ateŐĀ a estacŐßaŐÉo de trem da Cidade UniversitaŐĀria. De laŐĀ pego o trem ateŐĀ a Berrini e ando mais uns 10 minutos ateŐĀ o destino final. Essa primeira caminhada ateŐĀ a Cidade UniversitaŐĀria eŐĀ um dos momentos que mais gosto no dia. A rua) eŐĀ bastante arborizada e o fluxo de carros e pessoas, pelo menos ateŐĀ a PracŐßa Pan-Americana, eŐĀ super sossegado, o que torna a caminhada agradaŐĀvel. EŐĀ nesse momento que planejo meu dia, sempre ouvindo muŐĀsica ou, naŐÉo raramente, ouvindo um dos podcasts que escuto regularmente. Esse tambeŐĀm eŐĀ o caminho mais faŐĀcil para chegar ao trabalho. Caso eu optasse (como jaŐĀ fiz algumas vezes) por um caminho alternativo (talvez para andar menos, como sei que muitas pessoas prefeririam) eu teria que pegar 3 trens (fazendo duas baldeacŐßoŐÉes bem chatas: na ConsolacŐßaŐÉo/Paulista e em Pinheiros) ou pegar dois oŐānibus (o que aumentaria o tempo do trajeto em cerca de meia hora, com traŐānsito bom). Me sinto ateŐĀ privilegiado por, morando em SaŐÉo Paulo, fazer um caminho taŐÉo tranquilo para ir trabalhar todos os dias. Na quarta-feira passada dois rapazes em uma moto me pararam para pedir informacŐßaŐÉo. EŐĀ, eu sei. SoŐĀ de ler essa frase todos voceŐās jaŐĀ sabem que se trata de um assalto. Eu estava, como sempre, ouvindo alguma coisa no meu iPhone (e usando um fone naŐÉo muito discreto) e nem vi quando a dupla se aproximou e pediu informacŐßaŐÉo. Quando percebi, eles jaŐĀ estavam parados do meu lado, repetindo alguma coisa que eu naŐÉo havia ouvido. Tirei calmamente o fone e o rapaz que estava na garupa falou: ‚Äúme daŐĀ o celular e vaza, como se naŐÉo tivesse acontecido nada‚ÄĚ. Calmamente peguei o meu celular, que estava no bolso direito (onde tambeŐĀm estavam minhas chaves e minha carteira com documentos e cartoŐÉes), despluguei o fone e entreguei na maŐÉo dele. Depois vazei, como se naŐÉo tivesse acontecido nada. Dei mais 20, 30 passos. O proŐĀximo carro que passou por mim era um taŐĀxi. Dei sinal, voltei para casa e fiz todos os procedimentos de praxe: apaguei os dados do celular pelo "Find my iPhone", bloqueei a minha linha na Vivo (que por si soŐĀ jaŐĀ eŐĀ uma experieŐāncia quase taŐÉo ruim aŐÄ experieŐāncia de ser roubado) e comuniquei √†s 4 ou 5 pessoas com quem falo com mais frequeŐāncia do ocorrido. Pelo resto do dia trabalhei de casa, jaŐĀ que, obviamente, naŐÉo estava mais no clima para ir ateŐĀ o trabalho. NaŐÉo sei se eles estavam armados e nunca passou pela minha cabecŐßa a possibilidade de correr ou reagir. Sinceramente, por mais absurdo que essa frase possa soar, fiquei aliviado de terem levado soŐĀ o celular. AmanhaŐÉ vou ao trabalho pela primeira vez desde o ocorrido e tenho algumas opcŐßoŐÉes de caminho a escolher. As duas que considero (descartando, claro, a possibilidade de pedir demissaŐÉo) saŐÉo: 1) continuar indo pelo mesmo caminho como se naŐÉo tivesse acontecido nada ou 2) ir de oŐānibus. Se eu escolher a primeira opcŐßaŐÉo, eu naŐÉo vou mais usar meus fones na rua, vou deixar meu celular sempre bem guardado e vou andar sempre mais alerta. Na segunda opcŐßaŐÉo, continuo ouvindo minhas muŐĀsicas/podcasts, mas levo cerca de meia hora a mais para chegar no trabalho, aleŐĀm de abrir maŐÉo da minha taŐÉo querida caminhada matinal. Em outras palavras, ou eu fico mais "noiado" todas as manhaŐÉs, com receio de ser assaltado novamente (e sem muŐĀsica) ou eu perco meia hora a mais por dia (e dou adeus aŐÄ minha taŐÉo amada caminhada). Consigo ver essa histoŐĀria de vaŐĀrios aŐāngulos e quase todos me remetem aŐÄ mesma sensacŐßaŐÉo: de raiva e de desejo de vingancŐßa. Absolutamente todas as pessoas para quem eu contei essa histoŐĀria me perguntaram se eu liguei o ‚ÄúLost Mode‚ÄĚ do "Find my iPhone" (bom, pelo menos todas as que sabem o que eŐĀ isso) e muitas me aconselharam ir √† poliŐĀcia ou procurar pelos bandidos para resgatar o celular e mandar os infratores para a cadeia. NaŐÉo eŐĀ disso que preciso. Um grande amigo me ensinou recentemente que a vingancŐßa e esse senso erroŐāneo de justicŐßa apenas nos aproxima mais daqueles com quem naŐÉo concordamos. Tudo que sinto pelas duas pessoas que me assaltaram eŐĀ pena. Pena porque sei que infelizmente eles escolheram esse caminho ao inveŐĀs de ter um trabalho justo. Pena porque depois do esforcŐßo em assaltar algueŐĀm do bem, nem o celular eles vaŐÉo conseguir usar.

Lembrei que haŐĀ 8 anos roubaram o meu primeiro Mac. Se tem uma coisa que essa vida me ensinou eŐĀ que as coisas materiais noŐĀs sempre conseguimos comprar de novo (e quem, naquela eŐĀpoca, diria que eu, em 2014, poderia ter o Mac que eu quisesse aŐÄ disposicŐßaŐÉo?) e que naŐÉo vale a pena ricochetear esse sentimento ruim para as outras pessoas, por mais que julguemos que elas merecŐßam. Eu naŐÉo me importaria em fingir que naŐÉo aconteceu nada se eu tivesse certeza que isso naŐÉo poderia acontecer de novo. Analisando todo o ocorrido, o que me entristece de verdade eŐĀ a prisaŐÉo em que esse tipo de situacŐßaŐÉo nos obriga a entrar: ter que abandonar um simples haŐĀbito saudaŐĀvel que eu fazia questaŐÉo de praticar todos os dias. Um haŐĀbito que energizava tanto meu corpo como a minha mente e me fazia ter uma vida melhor. O celular eu consigo outro, mas parte da minha qualidade de vida se foi a troco de nada. NaŐÉo sinto raiva. NaŐÉo quero vingancŐßa. NaŐÉo quero justicŐßa. Quero apenas poder caminhar tranquilamente todos os dias antes de ir trabalhar. Parece meio clicheŐĀ, mas eŐĀ a verdade. SeraŐĀ que isso eŐĀ ser melhor?