Bruno Koga

2016: Lado direito

Nunca tive dificuldade com números. Sempre gostei de Matemática. Nunca gostei de Física, mas não posso dizer que era algo difícil pra mim. Sempre gostei e tive muita facilidade com jogos de raciocínio e desafios lógicos.

Nunca gostei de estudar, mas nunca repeti de ano e só fiquei de recuperação uma vez (em História, na quinta série). No meu terceiro ano do ensino médio, matei mais de 70% das minhas aulas de Matemática, Física e Química. Nunca bombei em nenhuma matéria durante a minha graduação. Tenho até uma medalha de prata na Olimpíada Brasileira de Matemática que ganhei meio por acaso.

Não me gabo por nada disso. Acho que muitos desses feitos não são necessariamente méritos meus. Sempre fui muito bom em estudar apenas o suficiente para passar de ano ou fazer o mínimo para atender as expectativas (no trabalho por exemplo). Ao longo dos anos, isso mudou um pouco - especialmente em relação ao trabalho. Já faz alguns anos que tenho buscado um emprego no qual eu realmente me identifique e consequentemente faça questão de fazê-lo bem feito e não simplesmente porque “tenho que fazer”.

Já faz algum tempo também que praticamente tudo que eu faço (e acho que isso é meio normal da “vida adulta”) é quase 100% baseado no trabalho: a cidade que eu moro, os cursos que eu escolho, os livros que eu leio, as viagens que eu faço. Meus (mais recentes) amigos são todos da área de tecnologia. Meus hobbies são todos relacionados à lógica. Meus “projetos paralelos” estão sempre relacionados à programação.

Para o ano que vem, vou mudar isso.

Não vou mais fazer freelancing ou projetos paralelos que envolvam programar. Meu tempo de programação e estudo estarão confinados às minhas 8 horas de trabalho diárias. Fora do escritório, não toco em uma linha de código. Aliás, não tenho mais Mac pessoal (e muito menos Xcode instalado em outro Mac que não seja o do trabalho).

Existem um milhão de coisas que sempre quis fazer e nunca tive “tempo” ou disposição. Muitos iniciativas que comecei mas parei no meio porque eram difíceis demais. Muitos hobbies que deixei de fazer porque eram inúteis.

Teoria musical, tocar violão, desenhar, pintar. Fazer podcasts, escrever, ler, ouvir música, meditar. Falar, ouvir, conversar. Esses são apenas alguns exemplos de atividades que (pra mim) são muito difíceis de fazer, seja por falta de habilidade, por não estar relacionado diretamente com meu trabalho ou por “não servir pra nada”. São atividades que não são necessariamente lógicas e por isso me trazem um certo desconforto. São exatamente por elas que vou começar.