Bruno Koga

2013

2013 é um forte candidato a melhor ano da minha vida.

Uma das grandes causas disso - não posso negar - foi o meu princípio de realocação para os Estados Unidos: no fim de 2012, logo após o WWDC, eu já tinha comunicado à CI&T (a empresa para qual eu trabalhava até então) que eu não gostaria de continuar lá, a não ser que houvesse uma oportunidade de mudança para fora do Brasil. Essa foi, então, a promessa.

Logo em janeiro, me “mudei” para St. Louis, onde eu trabalharia alocado dentro de um dos nossos clientes, a Monsanto, até o meu visto americano sair. A idéia é que eu ficasse em St. Louis por um período de 6 a 12 meses, entre idas e vindas, trabalhando por lá e, depois disso, mudasse para alguma outra cidade nos Estados Unidos.

Por ora, vou omitir os detalhes de morar em St. Louis que, por si só, já dariam uma história completa. A parte que interessa dessa mudança é que me permitiu ir à minha primeira conferência: a CocoaConf em Chicago 2013.

Fui para Chicago dirigindo - cerca de 4 horas de viagem. Chegando lá me senti meio perdido, meio deslocado. Tudo era novidade para mim: desde a organização da conferência até a simpatia dos atendentes. Quem me conhece sabe que eu sou tímido o suficiente para não falar com praticamente ninguém durante todo o evento. Fiquei ali escondido no meu canto, assistindo passivamente às palestras, rezando para que ninguém viesse conversar comigo.

E, por mais que eu saiba que podia ter aproveitado mais, me diverti bastante. E a CocoaConf foi apenas o começo de tudo. Inspirado pelas pessoas, pelas palestras da Jaimee, do Daniel, do Jonathan entre muitas outras e, além disso, pelo clima de amizade e comunidade que pairava por ali, voltei para St. Louis com vontade de mais. Muito mais.[1]

Foi aí que despiroquei. Comprei meu ingresso - e minhas passagens - para a GOTO Conference em Amsterdã. Comprei também os tickets para a 360iDev, em Denver e a SecondConf, em Chicago (e, posteriormente, comprei minha entrada pro WWDC também).

O WWDC, como sempre, foi muito bom, mas, comparado com as outras conferências do ano, acabou sendo a menos relevante para mim.

Por uma série de fatores (entre eles falta de férias e preço de passagens), fui para Amsterdã ficar apenas 4 dias (a GOTO duraria 2 desses dias). Na Europa, eu só tinha ido para Barcelona uma vez no ano passado (2012), ou seja, era minha primeira vez em Amsterdã. Ia ser uma correria.

Chegamos quase no fim do dia, e tivemos tempo apenas para conhecer as redondezas do hotel. O dia seguinte, passei inteiro na conferência, onde conheci a Tara e o Martinus, dois Appsterdamers que estavam com um estande lá no evento.

No segundo dia, a GOTO foi encerrada com uma palestra do Mike Lee. Aquela seria a minha chance de me apresentar a ele e agradecer por todo trabalho que ele tinha feito em relação à Appsterdam e dizer como aquilo tinha sido importante para a minha vida. Logo após a palestra dele, porém, várias pessoas foram conversar com ele e não consegui achar um bom momento para interromper (ajudado, claro, pela minha enorme timidez).

Bom, paciência. Mais tarde nesse mesmo dia, eu e a Marília fomos para o Meeten en Drinken, que é um encontro que acontece todas as quartas-feiras com a galera de Appsterdam em um bar. Encurtando a história, conhecemos duas pessoas lá: O Klaas Speller e o Saul Mora. O primeiro ficou encantado de nós sermos brasileiros e perguntou se nós não queríamos traduzir o jogo educativo que ele tinha (junto com mais um sócio) para português. Aceitei prontamente e ficou combinado que no dia seguinte (meu último em Amsterdã) eu passaria no escritório dele para pegar mais detalhes. O segundo, conversou bastante com a Marília e nos convenceu de que, para conhecer Appsterdam, 4 dias não eram o bastante. Segundo ele, era preciso pelo menos 1 mês de imersão na cidade para compreender o significado daquilo. Recado anotado.

No dia seguinte, após tomar todas na Heineken Experience, fomos ao escritório do Klaas. Para a minha surpresa, ao chegar lá nos deparamos com o sócio dele: Mike Lee.

As duas ou três horas que passei conversando naquela tarde com o Mike e o Klaas são irrecontáveis. Não tenho palavras - e nem a pretensão - para descrever como me senti. Imagine-se conversando com o seu maior ídolo por uma tarde inteira (sim, o Mike Lee era o meu maior ídolo até então). Pois é.

Não lembro de mais nada da viagem. Não lembro como voltei para casa, não lembro da viagem de volta. Lembro que, chegando em St. Loius eu era outra pessoa e estava super animado para - pelo menos tentar - fazer alguma coisa pela comunidade de desenvolvedores no Brasil. Ali, a minha vontade de um dia morar nos Estados Unidos começou a diminuir.

Dois meses se passaram e um grande amigo meu veio passar férias nos Estados Unidos e ficou hospedado “lá em casa” por uns dias. Decidimos que íamos aproveitar para ir em outras duas conferências que aconteceriam em Setembro: a famosa 360iDev, em Denver e a SecondConf, em Chicago. Fomos de carro, partindo de St. Louis, para as duas.

A 360iDev é até hoje, na minha opinião, a melhor conferência técnica para desenvolvedores iOS. A edição de 2013 não foi diferente e aprendi muito naqueles 5 dias em Denver. Tanto é que voltei em 2014 e pretendo voltar em 2015.[2]

A SecondConf era uma conferência não só focada em tecnologia, mas focada principalmente em pessoas. A edição que participamos foi a última e foi extremamente motivadora para mim. Uma das palestras, da Ashe Dryden, me encorajou a seguir em busca do que eu acreditava e plantou uma semente na minha cabeça para que, num futuro próximo, eu pedisse demissão. Foi também durante a SecondConf que eu conheci e conversei com o Fraser Speirs, diretor da Cedars School of Excellence (uma das primeiras escolas do mundo a aplicar o programa de 1 iPad por criança) e, num impulso (que futuramente se provou acertado) agendei com ele uma visita à escola em Glasgow, no dia 27 de março de 2014 (!!!).

Quando voltei para o Brasil em outubro eu era, definitivamente, outra pessoa. Além da minha falta de vontade em continuar na CI&T, outros motivos me forçaram a pedir demissão - o que, como todas as vezes que pedi demissão na vida, me fez muito bem. Passei dois meses sem emprego, planejando o futuro e antes do fim do ano, eu já estava empregado novamente.

Aprendi muito em 2013 e nele começaram muitos planos e realizações que até hoje impactam minha vida. Foi nesse ano que aprendi a ter um pouco menos de medo de jogar tudo para o alto em busca do que eu acredito.


[1]: sou eternamente grato à CocoaConf por me despertar essa vontade de aprender e, de cada vez mais, querer participar de outras conferências. Acredito que ela foi um divisor de águas para mim.

[2]: pelo segundo ano consecutivo, estamos organizando uma “caravana” para a 360iDev desse ano. Se você é brasileiro e está pensando em ir, fale comigo que temos um desconto de quase 40%.