Bruno Koga

Casa Digital em Chamas - Uma Lição sobre Deixar para Trás

esse texto é uma tradução livre do post Digital House Burning – A Lesson in Letting Go de Jessica Dang no seu blog Minimal Student.

Você já perdeu um disco rígido?

É o equivalente digital ter a sua casa em chamas. De uma hora para outra você perde parte do seu trabalho, arquivos, documentos e mais dolorosamente, suas fotos. Se foram. Para sempre.

Isso aconteceu comigo a um ano atrás. Eu ainda tenho algumas das coisas mais importantes salvas em algum lugar, mas perdi a maior parte de aproximadamente seis anos de documentos.

Na hora, perder tantos dados fez-me sentir como perder parte da minha vida. Coisas que criei durante esse tempo, as horas que eu me dediquei em escrever, editar e salvar todas as coisas, para que um dia eu pudesse ver e relembrar, se foram.

Um ano depois, como eu me sinto?

Em uma palavra, contente.

É isso mesmo. Me sinto bem. A parte minimalista de mim deveria ter sabido que eu me sentiria assim. Eu não sinto falta de nada e minha vida não entrou em colapso por causa disso.

As coisas que eu pensei que eram tão importantes um ano atrás não importam tanto para mim agora. E eu imagino que daqui um ano, elas vão importar ainda menos.

Eu acredito fortemente que as tudo acontece por um motivo (ou que, pelo menos, as pessoas deveriam tentar achar lições nas coisas que acontecem com elas) e perder as minhas coisas não foi diferente.

Para mim, essa foi uma lição sobre deixar para trás.

Nós vivemos em uma época onde podemos salvar tudo nas nossas vidas. Podemos registrar momentos que supostamente durariam um segundo e mantê-los para sempre. Embora isso seja bom em alguns pontos, também pode ser negativo em outros. Nós podemos lembrar de nos sentir nervosos, irritados ou tristes com com algo ou alguém e nesse momento lembrar realmente do porquê.

Minha casa digital em chamas foi uma limpeza, em partes. Me permitiu começar de novo. Sabendo que as coisas que capturamos são apenas um retrato de cada momento, eu fui capaz de aproveitar cada momento melhor.

Ao invés de me preocupar em tirar fotos a cada vez que eu viajava, eu parei para falar com pessoas e apreciar as vistas, sons e aromas dos lugares que eu fui.

Livre da bagagem do meu passado, eu fui capaz de focar melhor em criar trabalhos novos. Eu cresci e melhorei de tantos modos nesses últimos seis anos e me apegar a coisas antigas não ia ajudar meu progresso a continuar.

Sim, é difícil de superar uma casa digital em chamas. Eu não estou dizendo que as pessoas deveriam começar a tacar fogo nos seus discos rígidos (e agora eu mantenho um segundo disco rígido e também faço backup na nuvem) ou parar de tirar fotografias. Na verdade, eu sou uma grande defensora de manter diários para reflexões. Mas o que eu estou dizendo é isso. Mesmo se certas coisas pareçam importantes para nós agora, no final das contas é apenas uma coisa. Se nós a perdemos, nós todos temos a força dentro de nós para superar isso.

Um dia, as coisas sentimos ser tão preciosas para nós irão embora. Até lá, vamos cultivar o pensamento de focar mais em coisas que nós temos, ao invés de coisas que nós perdemos.

Aprenda a deixar para trás. E no final, você vai ficar bem.