Bruno Koga

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🎒🎒

O coworker ideal

Semana passada abri uma vaga no Github do CocoaHeads para trabalhar comigo aqui em Amsterdam. Algumas pessoas mostraram interesse e vieram conversar comigo. A pergunta que eu mais ouvi foi: quais os pré-requisitos da vaga?


Estou num momento da minha vida profissional que, mais do que desenvolver software, quero desenvolver algo que impacte positivamente a vida de alguém (ou de alguéns). E quero desenvolver esse algo da melhor maneira possível.

A primeira forma de fazer isso é, claro, através do próprio desenvolvimento de software. Trabalho hoje em uma empresa pequena chamada Siilo e queremos de verdade oferecer um serviço de qualidade para os profissionais da área médica e acreditamos que estamos construindo uma ótima plataforma, com ótimas ferramentas e ótimos aplicativos. Já impactamos positivamente a vida de algumas dezenas de médicos e vamos impactar muito mais.

Minha participação nessa missão se concentra em desenvolver um bom app. Garantir um app de qualidade, utilizando sempre as melhores práticas de programação, boas arquiteturas e tecnologias modernas. O app está sempre em evolução e eu sempre estou estudando e aprendendo algo diferente. Assim, temos um app de qualidade e um profissional motivado.

Nos útimos meses tenho percebido - e isso ficou bem claro durante o último WWDC (2016) - que a grande maioria dos desenvolvedores e profissionais da área de tecnologia (brasileiros e gringos) vem alimentando ambições que na minha opinião são completamente equivocadas - e pretendo escrever sobre isso em breve - mas o resumo é que o nosso foco está sempre em uma tela de vidro enquanto deveria estar nas pessoas e no mundo (do qual - pasmem - fazemos parte). A cada ação nossa, parece que estamos fazendo questão de nos tornar menos humanos e mais dependentes da tecnologia. E uma dependência totalmente inútil e desnecessária.


Voltando - e respondendo - à pergunta: quais os pré-requisitos da vaga para trabalhar comigo? Aqui vão:

O meu coworker ideal tem que gostar do que faz. Tem que gostar da cidade que mora, tem que saber apreciar um belo dia de sol. Tem que ser uma pessoa sensata, serena, que saiba parar e pensar antes de tentar resolver qualquer problema. E tem que ser uma pessoa que saiba resolver problemas. Meu coworker ideal tem que cuidar da saúde - física e mental - e isso tem que ser prioridade na vida dele. Ele ou ela tem que saber que trabalhar demais é ruim para todo mundo. Meu coworker ideal tem que gostar de ir pro bar e não ficar olhando o celular a cada 5 minutos (nem a cada 30).

Meu coworker tem que trabalhar bem, gostar de aprender e de evoluir. Tem que saber ouvir. Tem que gostar de programar, tem que gostar de iOS e tem que entender o potencial da plataforma. Tem que estar aberto para as novidades técnicas e saber encarar os desafios do trabalho com bom-humor. Meu coworker ideal tem que saber que dinheiro não traz felicidade. Meu coworker ideal tem que se recusar a trabalhar de fim de semana.

Ou seja, meu corworker ideal tem que ser um baita profissional. Mas ele tem que saber que muito mais do que um trabalho, ele tem uma vida.

BTW

2016: Lado direito

Nunca tive dificuldade com números. Sempre gostei de Matemática. Nunca gostei de Física, mas não posso dizer que era algo difícil pra mim. Sempre gostei e tive muita facilidade com jogos de raciocínio e desafios lógicos.

Nunca gostei de estudar, mas nunca repeti de ano e só fiquei de recuperação uma vez (em História, na quinta série). No meu terceiro ano do ensino médio, matei mais de 70% das minhas aulas de Matemática, Física e Química. Nunca bombei em nenhuma matéria durante a minha graduação. Tenho até uma medalha de prata na Olimpíada Brasileira de Matemática que ganhei meio por acaso.

Não me gabo por nada disso. Acho que muitos desses feitos não são necessariamente méritos meus. Sempre fui muito bom em estudar apenas o suficiente para passar de ano ou fazer o mínimo para atender as expectativas (no trabalho por exemplo). Ao longo dos anos, isso mudou um pouco - especialmente em relação ao trabalho. Já faz alguns anos que tenho buscado um emprego no qual eu realmente me identifique e consequentemente faça questão de fazê-lo bem feito e não simplesmente porque “tenho que fazer”.

Já faz algum tempo também que praticamente tudo que eu faço (e acho que isso é meio normal da “vida adulta”) é quase 100% baseado no trabalho: a cidade que eu moro, os cursos que eu escolho, os livros que eu leio, as viagens que eu faço. Meus (mais recentes) amigos são todos da área de tecnologia. Meus hobbies são todos relacionados à lógica. Meus “projetos paralelos” estão sempre relacionados à programação.

Para o ano que vem, vou mudar isso.

Não vou mais fazer freelancing ou projetos paralelos que envolvam programar. Meu tempo de programação e estudo estarão confinados às minhas 8 horas de trabalho diárias. Fora do escritório, não toco em uma linha de código. Aliás, não tenho mais Mac pessoal (e muito menos Xcode instalado em outro Mac que não seja o do trabalho).

Existem um milhão de coisas que sempre quis fazer e nunca tive “tempo” ou disposição. Muitos iniciativas que comecei mas parei no meio porque eram difíceis demais. Muitos hobbies que deixei de fazer porque eram inúteis.

Teoria musical, tocar violão, desenhar, pintar. Fazer podcasts, escrever, ler, ouvir música, meditar. Falar, ouvir, conversar. Esses são apenas alguns exemplos de atividades que (pra mim) são muito difíceis de fazer, seja por falta de habilidade, por não estar relacionado diretamente com meu trabalho ou por “não servir pra nada”. São atividades que não são necessariamente lógicas e por isso me trazem um certo desconforto. São exatamente por elas que vou começar.

2016: Saúde

Sempre fui uma pessoa muito saudável. E por isso, claro, nunca liguei pra minha saúde.

Em 2016, saúde será a minha prioridade número um. Mais importante do que meu trabalho, mais importante do que minha carreira, mais importante do que meus hobbies, mais importante do que as outras pessoas.

Não me leve a mal: isso não significa que vou deixar todas as outras coisas de lado, mas se for para deixar algo de lado, não será a minha saúde. Não vou fazer planos e promessas de perder X quilos ou correr Y quilômetros até o fim do ano. Não vou me tornar vegetariano ou parar de beber. Mas vou cuidar de mim como nunca cuidei antes. Para isso, tomei algumas ações:

  • No trabalho, passo pelo menos metade do meu tempo de pé. Para isso, solicitei uma standing desk e ajustei a altura do teclado, mouse e dos monitores. Pela primeira vez na minha vida adulta não sinto mais dores nas costas diariamente.
  • A primeira coisa que faço assim que acordo é tomar um copo cheio de água. Essa também é a última coisa que faço antes de dormir. Na minha mesa de trabalho, tenho uma garrafa de dois litros de água que encho todos os dias assim que chego no escritório. A regra é que ela tem que estar vazia quando termino meu expediente.
  • O compromisso mais importante que tenho na minha agenda diária é a academia. Vou todos os dias de manhã, seja para correr, nadar ou puxar ferro. Caso eu perca a hora de acordar ou algo assim, eu tiro essas horas do meu trabalho (ou de qualquer outra atividade), menos da academia. Não vou ao trabalho sem antes ter ido para academia. Essa é uma regra.
  • Vou e volto todos os dias do trabalho de bicicleta.
  • Pelo menos uma vez por semana (geralmente no sábado), ando no mínimo 10 quilômetros. Na verdade, não paro pra contar, mas ando por pelo menos duas horas. As vezes bem mais que isso. É a forma que eu encontrei de ir treinando, aos poucos, para fazer o Caminho de Santiago em 2017.
  • Como frutas e/ou verduras em todas as refeições. Além disso, me policio (de verdade, sem trapaça) para comer menos alimentos processados, menos doces e beber menos. Tenho comido muitos alimentos naturais, orgânicos e crus. É impressionante como isso me deixa mais disposto, me deixa mais produtivo e menos disperso durante o dia e me faz dormir melhor à noite.
  • Durmo, no mínimo, 7 horas por noite.
  • Em casa, não uso o computador sem ser na mesa, devidamente sentado e com a postura correta. Também não uso mais o computador de fim de semana (a não ser que seja extremamente necessário). Além disso, se não estou fazendo uma atividade específica no celular (jogando, escrevendo no Day One, ouvindo podcast ou conversando ativamente com alguém) ele fica carregando no quarto (e sempre, sempre, sempre no modo Do Not Disturb).
  • Todos os dias paro para respirar (e nada mais) por 5 minutos. Esse talvez seja o item mais difícil dessa lista.

A lista é enorme e assusta. Em outros tempos, eu acharia impossível seguir todos esses pontos. Mas as coisas ficam um pouco mais fáceis quando isso é a prioridade da sua vida. E, pensando bem, deveria sempre ser.

Ano novo, vida nova

Adoro começar projetos novos. Adoro me preparar para começar projetos novos. E esse é provavelmente o principal motivo pelo qual eu adoro fazer planos. Principalmente planos de ano novo.

Adoro a sensação de virar a página e começar com uma folha em branco. Adoro não só o sentimento de terminar algo (e o prazer de ter o dever cumprido), mas especialmente a liberdade para arquitetar e organizar novos desafios, de explorar novas possibilidades, de poder aprender coisas novas. De evoluir. De estar sempre em desenvolvimento.

Porém, sempre fui péssimo em administrar meu tempo (e muitas vezes minha disposição) para terminar tudo que eu começo. Sem contar as inúmeras vezes que passo meses me planejando para fazer algo que acaba nunca começando.

A minha desculpa oficial sempre foi “não tenho tempo”. Essa provavelmente é a sua desculpa oficial também, mas isso é assunto para um outro texto.

Para 2016 quero ter tempo para fazer as coisas que eu gosto. Quero ter tempo para fazer as coisas com as quais eu realmente me importo, que me fazem bem e que me deixam feliz. E só. Ao invés de me cercar simplesmente de pessoas “aleatórias”, quero desfrutar meu tempo livre com as (pouquíssimas) pessoas que eu gosto. Quero usar meu tempo para realizar projetos com os quais eu me importo e que acredito. Quero ter tempo para experimentar coisas novas e diferentes. Quero tentar. Quero aprender e quero errar. Quero parar de dar desculpas esfarrapadas e de parar de jogar meu (precioso) tempo no lixo. Quero agir, quero fazer.

Algo me diz que 2016 vai ser um ano extraordinário.

Conferências

#####Pela praticidade, usarei o termo desenvolvedores nesse artigo, como forma de nominar os desenvolvedores iOS/OS X/AppleTV/watchOS, sejam eles iniciantes, veteranos ou apenas entusiastas (muitas vezes até profissionais de outras áreas).


Em relação a expectativas, nunca ouve um fim de ano tão empolgante para os desenvolvedores no Brasil.

Este é o primeiro ano que podemos afirmar (questionavelmente, claro) que somos a maior comunidade iOS do mundo. Nunca fomos tão grandes, tão organizados e tão unidos quanto somos hoje. Trocamos informações, experiências e conhecimento quase que diariamente. Toda essa troca é motivante tanto para quem compartilha quanto para quem ouve. E um dos resultados indiretos disso é sempre uma busca, uma vontade por mais. Mais informação, mais experiências e mais conhecimento.

Neste ano, finalmente, parece que a Apple está querendo jogar no nosso time, ao invés de jogar contra nós. A volta dos Apple Tech Talks, a importância que ela tem dado ao setor de Developer Relations e a abertura do código não só do Swift, mas de outros projetos também, são apenas alguns exemplos que mostram isso.

E pelo mundo afora as conferências voltadas a nós, desenvolvedores, não param de brotar. É geralmente nessa época do ano que fazemos planos e inúmeras contas para saber quais conferências vamos conseguir participar no ano que está chegando. O Ray Wenderlich posta anualmente (por volta de Janeiro) uma famosa lista com as top 10 conferências para aquele ano. Outra fonte muito boa é o repositório CocoaConferences do Luis Ascorbe (organizador da NSSpain) no Github, onde ele agrega uma lista com (quase) todas as conferências da nossa área que possam nos interessar.

Começar a ir em conferências mudou minha vida. Não só pelo conteúdo das conferências em si mas pelo mar de motivações que as acompanham. É indiscritível a sensação de voltar para casa depois de uma boa conferência, onde você não só aprendeu coisas novas, mas conheceu pessoas, fez amigos e, principalmente, criou e produziu coisas que você jamais imaginaria ser capaz. Gosto tanto de conferências e de toda inspiração que elas trazem, que resolvi morar numa cidade que é uma grande conferência, 24 horas por dia.

Para o ano que vem, pare de inventar desculpas. Planeje-se. Peça ajuda e conselhos para quem já foi e se esforce para ir em pelo menos uma conferência (e por que não mais?). Tenho certeza que tem muita gente que vai às conferências que você quer ir que tem muito menos dinheiro, muito menos tempo livre e muito menos bla-bla-bla do que você.

A vida é um Picnic

Todos os dias, nas idas e vindas para o trabalho, parece que estou vivendo um sonho. Amo essa cidade. Amo as ruas, os canais, as pessoas, as bicicletas, os mercados de rua, as casas tortas.

É um pouco surreal para mim acreditar que estou vivendo isso. O tempo tem voado e muitas coisas aconteceram nesses cinco meses que estou aqui.

Falando especificamente do trabalho (afinal, foi para isso que eu vim), nunca imaginei que aprenderia tanto nesses últimos meses. Me inspirei a colocar duas iniciativas em prática para tentar compartilhar um pouco de tudo que eu estou aprendendo (o Invariante e o Podcast do CocoaHeads Brasil). Tive a imensa sorte de cair de pára-quedas em um projeto desafiador que me deu espaço para crescer como desenvolvedor. Nesses últimos cinco meses, tive a sorte de trabalhar lado a lado com um dos desenvolvedores mais competentes que já conheci. Tive o prazer de trabalhar com um time que, embora pequeno, fosse extremamente qualificado e, acima de tudo, fomado por seres humanos extraorinários.

É triste - de novo - ter que deixar a empresa e colegas de trabalho que me receberam de braços abertos e me ensinaram tanto. Essa tristeza de partir só fortalece o sentimento de que os meus dias aqui superaram (e muito) as minhas expectativas. Mas a vida é isso. Momentos tão incríveis que parecem um sonho.

A vida é um Picnic.

Ambiente

Há algum tempo tenho tentado buscar o ambiente ideal de trabalho para mim.

Sou um procrastinador por natureza, adoro buscar bons motivos para não fazer nada. Além disso, tenho uma tendência a me entediar com rotinas. Trabalhar dentro de um escritório, 8 horas por dia é algo que nunca consegui fazer. Por outro lado, descobri que trabalhar de casa todos os dias não é uma tarefa fácil (pelo menos para mim). Não que eu não goste de trabalhar do escritório ou de trabalhar de casa. O problema é a mesmice.

Quando trabalhei na Movile, tive a chance de intercalar dias trabalhados no escritório e dias trabalhados em casa. Foi um grande avanço e me senti muito mais produtivo. Dois fatores, porém, fizeram com que essa minha nova “rotina” não desse muito certo:

Primeiro que os dias trabalhados em casa, apesar do bom ambiente de trabalho para mim, eram um problema a mais para todos os outros membros da minha equipe. Quando se trabalha remotamente, o time inteiro tem que entender isso e estar preparado para trabalhar dessa maneira. Ou seja, apesar dos meus dias em casa serem produtivos, a falta de comunicação e sincronia com o time muitas vezes levavam a trabalhos desnecessários ou inconsistente por causa de uma mudança repentina que não foi comunicada.

O segundo fator é que, embora os meus dias no escritório fossem “fora da rotina” para mim, eram dias “normais” para todas as outras pessoas. É fácil de ver quando uma pessoa (ou um time) está desmotivado pela mesmice da rotina e como isso interfere, novamente, em toda a interação com o resto do time.

Hoje em dia, trabalho 4 vezes por semana em um escritório (Escalada) e, às sextas, trabalho de outro escritório (eBuddy). Gosto muito mais do segundo escritório (os tetos são mais altos, as mesas e janelas são maiores, é mais perto da minha casa) mas o outro também é bom. Mas o que torna o dia-a-dia tão mais produtivo aqui é tudo que está ao redor.

Seja numa caminhada ao trabalho pela manhã ou num café as 4 da tarde. Seja no café da manhã em uma padaria ou no horário do almoço durante um passeio pelo mercado de rua. Existem centenas de lugares e ocasiões em que assuntos relacionados ao trabalho podem ser resolvidos que não sejam necessariamente dentro de um escritório. Esses ambientes diferentes é o que as empresas buscam ao decorar sala de reuniões com pufes, construir salas divertidas e mais confortáveis. Mas nada se compara a uma cidade inteira te propiciando tais ambientes.

Fazem 6 semanas que estou aqui e estou aproveitando cada dia, mesmo que seja cheio de trabalho. A falta de rotina me mantém motivado e me sinto produtivo e evoluindo profissionalmente. Sinto que estou aproveitando melhor o meu tempo e produzindo mais, pois não caí - ainda? - no tédio.

A grande maioria das pessoas que eu conheço tem a possibilidade de trabalhar remotamente ou de outros lugares que não o escritório por pelo menos algumas horas na semana. Se você é uma dessas pessoas, aconselho a tentar. Tem dado muito certo para mim, pode dar certo para você também.

PS - escrevi esse post num café as 9 da manhã de um sábado, onde temos um evento semanal de peer lab.

2013

2013 é um forte candidato a melhor ano da minha vida.

Uma das grandes causas disso - não posso negar - foi o meu princípio de realocação para os Estados Unidos: no fim de 2012, logo após o WWDC, eu já tinha comunicado à CI&T (a empresa para qual eu trabalhava até então) que eu não gostaria de continuar lá, a não ser que houvesse uma oportunidade de mudança para fora do Brasil. Essa foi, então, a promessa.

Logo em janeiro, me “mudei” para St. Louis, onde eu trabalharia alocado dentro de um dos nossos clientes, a Monsanto, até o meu visto americano sair. A idéia é que eu ficasse em St. Louis por um período de 6 a 12 meses, entre idas e vindas, trabalhando por lá e, depois disso, mudasse para alguma outra cidade nos Estados Unidos.

Por ora, vou omitir os detalhes de morar em St. Louis que, por si só, já dariam uma história completa. A parte que interessa dessa mudança é que me permitiu ir à minha primeira conferência: a CocoaConf em Chicago 2013.

Fui para Chicago dirigindo - cerca de 4 horas de viagem. Chegando lá me senti meio perdido, meio deslocado. Tudo era novidade para mim: desde a organização da conferência até a simpatia dos atendentes. Quem me conhece sabe que eu sou tímido o suficiente para não falar com praticamente ninguém durante todo o evento. Fiquei ali escondido no meu canto, assistindo passivamente às palestras, rezando para que ninguém viesse conversar comigo.

E, por mais que eu saiba que podia ter aproveitado mais, me diverti bastante. E a CocoaConf foi apenas o começo de tudo. Inspirado pelas pessoas, pelas palestras da Jaimee, do Daniel, do Jonathan entre muitas outras e, além disso, pelo clima de amizade e comunidade que pairava por ali, voltei para St. Louis com vontade de mais. Muito mais.[1]

Foi aí que despiroquei. Comprei meu ingresso - e minhas passagens - para a GOTO Conference em Amsterdã. Comprei também os tickets para a 360iDev, em Denver e a SecondConf, em Chicago (e, posteriormente, comprei minha entrada pro WWDC também).

O WWDC, como sempre, foi muito bom, mas, comparado com as outras conferências do ano, acabou sendo a menos relevante para mim.

Por uma série de fatores (entre eles falta de férias e preço de passagens), fui para Amsterdã ficar apenas 4 dias (a GOTO duraria 2 desses dias). Na Europa, eu só tinha ido para Barcelona uma vez no ano passado (2012), ou seja, era minha primeira vez em Amsterdã. Ia ser uma correria.

Chegamos quase no fim do dia, e tivemos tempo apenas para conhecer as redondezas do hotel. O dia seguinte, passei inteiro na conferência, onde conheci a Tara e o Martinus, dois Appsterdamers que estavam com um estande lá no evento.

No segundo dia, a GOTO foi encerrada com uma palestra do Mike Lee. Aquela seria a minha chance de me apresentar a ele e agradecer por todo trabalho que ele tinha feito em relação à Appsterdam e dizer como aquilo tinha sido importante para a minha vida. Logo após a palestra dele, porém, várias pessoas foram conversar com ele e não consegui achar um bom momento para interromper (ajudado, claro, pela minha enorme timidez).

Bom, paciência. Mais tarde nesse mesmo dia, eu e a Marília fomos para o Meeten en Drinken, que é um encontro que acontece todas as quartas-feiras com a galera de Appsterdam em um bar. Encurtando a história, conhecemos duas pessoas lá: O Klaas Speller e o Saul Mora. O primeiro ficou encantado de nós sermos brasileiros e perguntou se nós não queríamos traduzir o jogo educativo que ele tinha (junto com mais um sócio) para português. Aceitei prontamente e ficou combinado que no dia seguinte (meu último em Amsterdã) eu passaria no escritório dele para pegar mais detalhes. O segundo, conversou bastante com a Marília e nos convenceu de que, para conhecer Appsterdam, 4 dias não eram o bastante. Segundo ele, era preciso pelo menos 1 mês de imersão na cidade para compreender o significado daquilo. Recado anotado.

No dia seguinte, após tomar todas na Heineken Experience, fomos ao escritório do Klaas. Para a minha surpresa, ao chegar lá nos deparamos com o sócio dele: Mike Lee.

As duas ou três horas que passei conversando naquela tarde com o Mike e o Klaas são irrecontáveis. Não tenho palavras - e nem a pretensão - para descrever como me senti. Imagine-se conversando com o seu maior ídolo por uma tarde inteira (sim, o Mike Lee era o meu maior ídolo até então). Pois é.

Não lembro de mais nada da viagem. Não lembro como voltei para casa, não lembro da viagem de volta. Lembro que, chegando em St. Loius eu era outra pessoa e estava super animado para - pelo menos tentar - fazer alguma coisa pela comunidade de desenvolvedores no Brasil. Ali, a minha vontade de um dia morar nos Estados Unidos começou a diminuir.

Dois meses se passaram e um grande amigo meu veio passar férias nos Estados Unidos e ficou hospedado “lá em casa” por uns dias. Decidimos que íamos aproveitar para ir em outras duas conferências que aconteceriam em Setembro: a famosa 360iDev, em Denver e a SecondConf, em Chicago. Fomos de carro, partindo de St. Louis, para as duas.

A 360iDev é até hoje, na minha opinião, a melhor conferência técnica para desenvolvedores iOS. A edição de 2013 não foi diferente e aprendi muito naqueles 5 dias em Denver. Tanto é que voltei em 2014 e pretendo voltar em 2015.[2]

A SecondConf era uma conferência não só focada em tecnologia, mas focada principalmente em pessoas. A edição que participamos foi a última e foi extremamente motivadora para mim. Uma das palestras, da Ashe Dryden, me encorajou a seguir em busca do que eu acreditava e plantou uma semente na minha cabeça para que, num futuro próximo, eu pedisse demissão. Foi também durante a SecondConf que eu conheci e conversei com o Fraser Speirs, diretor da Cedars School of Excellence (uma das primeiras escolas do mundo a aplicar o programa de 1 iPad por criança) e, num impulso (que futuramente se provou acertado) agendei com ele uma visita à escola em Glasgow, no dia 27 de março de 2014 (!!!).

Quando voltei para o Brasil em outubro eu era, definitivamente, outra pessoa. Além da minha falta de vontade em continuar na CI&T, outros motivos me forçaram a pedir demissão - o que, como todas as vezes que pedi demissão na vida, me fez muito bem. Passei dois meses sem emprego, planejando o futuro e antes do fim do ano, eu já estava empregado novamente.

Aprendi muito em 2013 e nele começaram muitos planos e realizações que até hoje impactam minha vida. Foi nesse ano que aprendi a ter um pouco menos de medo de jogar tudo para o alto em busca do que eu acredito.


[1]: sou eternamente grato à CocoaConf por me despertar essa vontade de aprender e, de cada vez mais, querer participar de outras conferências. Acredito que ela foi um divisor de águas para mim.

[2]: pelo segundo ano consecutivo, estamos organizando uma “caravana” para a 360iDev desse ano. Se você é brasileiro e está pensando em ir, fale comigo que temos um desconto de quase 40%.

99

Hoje é meu último dia trabalhando na 99Taxis.

Queria deixar aqui meu sincero agradecimento pela oportunidade e pela confiança dadas a mim. Nesses curtos três meses tive a chance de trabalhar nessa empresa fantástica e de conhecer pessoas que estão genuinamente preocupadas em fazer um produto que melhora a vida de milhões e milhões de pessoas pelo Brasil.

É extremamente gratificante ouvir sempre a mesma resposta quando eu pergunto a um taxista qual é o melhor aplicativo que ele usa: 99Taxis. E é igualmente gratificante saber que fazemos um trabalho tão bem feito (e, diga-se de passagem, muito superior ao dos nossos concorrentes). É uma sensação indescritível ter tido a chance de contribuir - um pouquinho que seja - com o sucesso da 99.

Parto em busca de um sonho antigo, mas não sem antes dizer que sinto um orgulho imenso por ter feito parte desse time. Gostaria de agradecer a cada um dos colaboradores dessa empresa fenomenal.

À 99Taxis e todos seus colaboradores: muito obrigado.

Para Frente

Há exatamente um ano resolvi iniciar uma das missões mais importantes da minha vida profissional: co-liderar o CocoaHeads Brasil. Há exatamente um ano atrás, tínhamos zero chapters na América do Sul. Há exatamente um ano atrás, depois de uma conversa pelo FaceTime com um cara que eu nem conhecia (e que, claro, se tornou um grande amigo), decidimos dar o pontapé inicial para os dois primeiros meetups no Brasil: São Paulo e Goiânia.

Hoje tenho um imenso orgulho da imensa comunidade que ajudei a desenvolver. Hoje somos mais de quinze chapters ativos no Brasil e crescemos a cada mês. Temos na nossa bagagem dezenas de eventos e, principalmente, centenas de pessoas que confiaram no CocoaHeads e cresceram junto com a gente.

A hora, mais do que nunca, é de continuar caminhando para frente. Desbravar novos caminhos, novos desafios e dar oportunidade àqueles que querem e podem contribuir com essa linda comunidade. Apesar do pouco tempo como integrador nacional do CocoaHeads, sinto que meu trabalho neste papel está concluído e quero seguir adiante. A hora, mais do que nunca, é de continuar andando.

Agradeço a todos que fazem parte dessa família e que nos ajudam a ser quem somos. Chapter leaders, membros, entusiastas, parceiros e amigos. Saímos do zero para ser o país com a maior comunidade iOS do mundo. E isso seria impossível sem o imenso e árduo trabalho de todos vocês.

Estarei sempre por perto e sempre presente, mas a partir de hoje não sou mais o integrador nacional do CocoaHeads Brasil.

Um grande abraço e vamos continuar crescendo juntos. Sempre.

On Sale

Estou de mudança e, por isso, estou vendendo algumas coisas. Se você tiver interesse em algo, basta me avisar por e-mail (kogabv@gmail.com), iMessage (brunokoga@me.com) ou no Twitter (@brunokoga). Todos os itens estão comigo em São Paulo.


Monitor Dell Ultrasharp 24 polegadas U2412M

É um monitor excelente (mesmo). Pouquíssimo usado, comprei em setembro de 2014. Aqui tem um link do The Wirecutter dizendo que ele é, realmente, o melhor monitor da categoria e aqui um link da Amazon com mais detalhes sobre ele.

Preço: R$ 900,00.

Bônus: além dos cabos VGA e DVI que vem com ele, dou de brinde um cabo Mini DisplayPort -> DisplayPort (ideal para Macbooks).


Caixas de Som Amplificadas M-Audio M-40

As melhores caixas de som amplificadas por esse preço. Procure por revires no Youtube e você vai ver que são excelentes. Comprei em setembro de 2014 e estão intactas. Link da Amazon para mais detalhes aqui.

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Das Keyboard Ultimate

Provavelmente o melhor teclado mecânico do mundo. Não tem as letras impressa nas teclas. Mais detalhes aqui no link da Amazon.

Preço: R$ 500,00.


Mouse Logitech Performance MX

Mouse sem fio, com sistema de tracking a laser, que funciona até em mesa de vidro. Foi pouquíssimo usado.

Preço: R$ 200,00.


Livros de D&D 5a. Edição

Todos em Inglês. Nunca foram usados. Clique no nome para ver o produto na Amazon.

Starter Set: R$ 60,00.

Player’s Handbook: R$ 150,00.

Hoard of the Dragon Queen (Aventura): R$ 80,00.

WWDC 2015

Com a tão esperada divulgação das datas do WWDC 2015, começam os preparativos para a maior conferência de desenvolvedores focadas em plataformas da Apple. Este ano, o evento acontecerá entre os dias 8 e 12 de Junho no já consagrado Moscone West em São Francisco, na Califórnia.

No ano passado a Apple alterou a forma como são disponibilizados os ingressos. Até 2013 os ingressos eram vendidos às primeiras pessoas que conseguissem comprar. Com o crescente aumento de interessados por ingressos, essa forma de venda se mostrou impraticável. Desde 2008 que, a cada ano, os ingressos do WWDC se esgotam (com destaque especial para os anos de 2012 e 2013, em que os ingressos esgotaram em 1 hora e 43 minutos (2012) e em 1 minuto e 11 segundos (em 2013)). A Apple então decidiu que os ingressos para o WWDC 2015, assim como foi o ano passado, serão vendidos através de um sistema de loteria, onde os desenvolvedores devem demonstrar seu interesse de compra e a Apple irá sortear aqueles que terão, de fato, direito a comprar o ingresso por módicos 1599 dólares.

Na minha opinião, o WWDC se tornou não só uma conferência, mas uma série de eventos que acontecem durante uma semana em São Francisco. Participei das edições de 2011, 2012 e 2013 (e fiquei de fora da edição de 2014 por não ter sido sorteado) e não tenho receio em afirmar que 2014 foi o meu melhor “WWDC”, mesmo sem ingresso. Este ano já estou com passagem e acomodação reservadas e nem sequer vou me inscrever para o sorteio do ingresso.

A experiência de ir para o primeiro WWDC, porém, vale a pena. Se você nunca teve a oportunidade de ir, aconselho sim que você entre na loteria e torça bastante para ser sorteado. Se você já foi em alguma edição anterior ou se sua grana está curta ou se você simplesmente quiser ir para São Francisco mas não fizer questão de ir para o WWDC, eu garanto que a sua semana, mesmo sem ingresso, valerá a pena.

Resolvi escrever esse Guia para a Semana do WWDC inspirado no famoso WWDC First Timer’s Guide de Jeff Lamarche. O link para o artigo é da edição de 2013, mas o Jeff Lamarche escreve esse guia desde 2009. A minha intenção é ajudar todos os brasileiros que estão indo para São Francisco em 2015, independentemente de já terem ido ou não à edições passadas do WWDC. De qualquer forma, recomendo a leitura do guia do LaMarche para todos aqueles que estão indo para a semana do WWDC pela primeira vez. Vamos lá? :)

Preparativos

1. Vôo

Ao procurar passagens para São Francisco, lembre que a viagem é longa. Pense bem na(s) escala(s) que vai fazer, pois alguns vôos podem ser realmente cansativos (com escala em Miami ou Nova Iorque por exemplo). Como não existem vôos diretos do Brasil à São Francisco (sigla SFO), a melhor alternativa é fazer escala em Los Angeles (LAX), mas esses vôos podem ser mais caros ou difíceis de achar. Recomendo chegar em São Francisco no sábado antes da conferência (neste ano, dia 6) e ir embora no sábado ou domingo (este ano, dias 13 ou 14) - falarei mais sobre as datas no decorrer desse guia. Como qualquer outra viagem, vale a pena prestar atenção em programas de milhagem, desconto e parcelamento de passagens e sites agregadores que te dão lista de preço de várias companhias ao mesmo tempo, como por exemplo o Kayak ou o Submarino Viagens.

2. Acomodação

São Francisco é uma das cidades mais caras dos Estados Unidos e, claro, isso se reflete nos preços de hotéis. É difícil encontrar um hotel com diária menor do que 200 dólares. Lembre-se também de que as vagas para os hotéis perto do Moscone West geralmente esgotam e, mesmo que você esteja disposto a pagar caro, se você deixar para reservar o hotel na última hora, pode acabar ficando sem quarto. Eu, particularmente, nem cogito a hipótese de ficar em um hotel: nos 4 anos que fui para São Francisco na semana do WWDC eu fiquei hospedado no San Francisco Downtown Hostel e recomendo ele a todo mundo que quer economizar uma boa grana e mesmo assim ficar num lugar bacana. Você pode optar por dividir um quarto com pessoas aleatórias ou dividir um quarto com amigos (existem opções de 2, 4 e 6 camas - quanto mais pessoas em um quarto, mais barato). Se você não quiser dividir com ninguém, você pode também reservar um quarto duplo e ficar sozinho nele. Mesmo nessa última opção, você vai gastar menos da metade do que gastaria em um hotel. E você ainda tem chances de conhecer pessoas bacanas de todo lugar do mundo :)

3. Dinheiro

Eu gosto da segurança e praticidade de cartões de créditos (que são aceitos em qualquer bimboca de São Francisco) e por isso levo pouquíssimo dinheiro em espécie comigo. Sempre carrego, claro, alguns dólares (cerca de 200) mas geralmente acabo voltando para o Brasil com boa parte disso. Não sou fã de Travel Money (não vejo vantagem nenhuma). Não esqueça que, dependendo do seu banco, talvez você tenha que desbloquear seu(s) cartão(ões) de débito e crédito para poder usar no exterior. E lembre-se: é sempre muito melhor sobrar do que faltar.

4. A cidade

São Francisco é uma cidade incrível. Aproveite a viagem para conhecer alguns pontos turísticos da cidade. Você provavelmente terá que fazer escolhas e não terá tempo para conhecer toda a cidade. Passeios de bicicleta pela Golden Gate até Sausalito, o famoso Pier 39, o bairro do Castro e o passeio até Alcatraz são apenas algumas sugestões. Antes de viajar, se organize para ter certeza que vai ter tempo de turistar. Além disso, o clima de São Francisco é totalmente maluco. Apesar de ser na Califórnia e de o WWDC ser quase no verão, as noites de São Francisco tendem a ser gélidas. Existe uma famosa frase que é repetida todo ano por lá: “O inverno mais frio que já vivi foi um verão em São Francisco”. Leve, no mínimo, um agasalho.

Chegando Lá

Se você vai ficar em algum lugar perto do Moscone, o modo mais fácil de ir e vir do aeroporto é, sem dúvida nenhuma, pelo BART, que é o metrô que vai do aeroporto até a região do Moscone (Power Street Station). Você consegue comprar os tickets do metrô perto da catraca, usando dinheiro ou cartão.

Lembre-se que você terá uma semana cansativa pela frente. Aproveite o seu primeiro dia em São Francisco para se livrar do jet-lag, dar uma andada nas redondezas do seu hotel (e garantir que você não vai ficar perdido durante a semana) e fazer coisas sozinho (por exemplo: compras). Uma dica muito importante: não esqueça de beber bastante água. A semana é tão corrida, com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo que acabamos nos esquecendo do básico. Acredite: cedo ou tarde seu corpo irá reclamar.

Você pode querer comprar um chip para ter 4G/LTE por lá. Não é difícil achar uma loja da AT&T e comprar um chip pré-pago com 1 ou 2gb de dados por cerca de 50 dólares. Eu nunca comprei (não faço questão de ter internet 100% do tempo lá), mas muitos brasileiros (e outros estrangeiros) compram assim que pisam em SFO.

Eventos Paralelos

A semana do WWDC é recheada de eventos paralelos. Oficialmente, a única festa é o Bash, na quinta-feira (11). Porém várias empresas (Twitter, Facebook, Big Nerd Ranch, Yahoo, Github, etc.) organizam festas e eventos com comidas e bebidas (de graça) para as pessoas que estão na cidade. Essa lista de eventos vai se formando conforme a semana do WWDC vai se aproximando. Pode ter certeza que você não vai conseguir ir em todas as festas/eventos, então é uma ótima idéia ir se planejando com alguns dias (ou pelo menos algumas horas) de antecedência. Devido a alta demanda, para muito desses eventos você precisa fazer um registro antes, então fique atento.

Além disso, no sábado antes do WWDC (dia 6) irá acontecer uma edição especial do DevBeers para que a brasileirada possa se conhecer. Ano passado organizamos algo parecido (que chamamos de “Encontro de Brasileiros”), mas este ano vamos fazer algo um pouco mais organizado, com comida, bebida e jogos. E, claro, de graça :)

Vale a pena ficar ligado em sites ou apps que agregam essa lista de eventos. É difícil indicar um agora (até porque não tem nada definido ainda), mas com certeza eles irão aparecer. Veja aqui um exemplo da quantidade de festas/eventos que acontecem nessa semana.

AltConf

Na minha opinião, o melhor evento da semana inteira (melhor até que o próprio WWDC) é a AltConf, uma conferência organizada pela comunidade que acontece nos mesmos dias do WWDC. No ano passado participei pela primeira vez da AltConf (porque eu não tinha um ticket para a WWDC) e este ano não vou nem me inscrever para o sorteio: vou direto para a AltConf. A AltConf acontecerá na frente do Moscone West, no AMC Metreon, com 3 salas e mais de 1000 lugares. Mesmo que você tenha um ingresso e, principalmente se você não tiver, vale a pena conferir.

O WWDC

Ah, o WWDC.

Badge

Tudo começa com a euforia de retirar o tão sonhado e desejado badge. A partir do domingo pré-evento você já pode pegar seu badge no Moscone junto com seu brinde (geralmente uma jaqueta). Cuide do seu badge com carinho pois a Apple diz que se você perder, ela não te dará outro.

Keynote

Na segunda-feira de manhã acontece o famoso Keynote de abertura. A cada ano que passa a fila do Keynote começa a se formar mais cedo. Ano passado já tinha gente na fila no domingo antes do meio dia (os portões são abertos Segunda por volta das 9 da manhã!). Se você está indo para o WWDC pela primeira vez vale a pena ir para o Keynote. Recomendo que você vá para fila por volta da meia noite de domingo para segunda. É importante você ir com amigos e com agasalhos. Algumas pessoas levam cadeiras dobráveis, barracas de acampamento, caixas de som, baterias extras e jogos. Afinal, você vai passar umas boas 8 horas ali sem ter muito o que fazer. Caso você não queira passar por isso, não esqueça que o Keynote é transmitido ao vivo e você pode assistir confortavelmente em outro lugar (No escritório do Twitter ou na AltConf, por exemplo).

Sessions

A minha maior dica aqui é: veja as sessions que realmente te interessam. Muitas pessoas tentam ver o maior número de sessions possível e isso acaba sendo meio inútil, pois no final do dia o seu cérebro não consegue assimilar tudo que você viu. Eu não recomendaria assistir mais do que 2 ou 3 sessions por dia (e, de novo, lembre-se: elas estarão disponíveis para download possivelmente no mesmo dia*). Sinceramente, hoje em dia não vejo mais muita vantagem em ir para o WWDC e assistir as sessions pessoalmente.

(*) No site oficial do WWDC está escrito que neste ano as sessões terão streaming ao vivo!

Labs

Os Labs são, sem dúvida nenhuma, o ponto mais importante do WWDC. São nos Labs que você terá a (raríssima) oportunidade de abrir seu código para um especialista da Apple e tentar aniquilar de vez aquele bug que te atormenta a meses ou discutir em detalhes minuciosos alguma API ou biblioteca da Apple. Se você estiver com problemas de Core Audio, você vai conseguir falar diretamente com os engenheiros que o desenvolvem. Se você tiver problemas com o Instruments, poderá falar diretamente com a equipe responsável pelas ferramentas de desenvolvimento da Apple. E por aí vai. Não perca a chance de frequentar os Labs o máximo que puder. Na minha opinião, é aqui que está 90% do valor do WWDC.

Nos meus dois primeiros anos de WWDC fui um babaca. Por algum motivo, fiz questão de ignorar a existência dos outros brasileiros por lá e de compartilhar pouquíssima informação, como se eu fosse o dono da verdade, sem me importar com os outros.

Ano passado, vi muitos brasileiros com essa mesma atitude e por isso faço questão de escrever aqui: não seja um babaca. Aproveite a semana do melhor jeito possível: conheça pessoas novas, troque informações, tire suas dúvidas, cresça como pessoa e como profissional e ajude aqueles que precisam de ajuda e querem ser ajudados. Participe dos eventos (principalmente do devbeers brazuca!), divirta-se e ajude os outros a se divertirem.

Lembre-se que, tecnicamente falando, esta é uma semana única no ano. Em um raio de 5 quilômetros vão estar um imenso número de pessoas que fizeram os aplicativos e os produtos que usamos no dia-a-dia. Se você admira algum desenvolvedor internacional e quer conhecê-lo pessoalmente, essa é sua chance. Aproveite para treinar seu inglês. Se você usa algum app que mudou a sua vida, aproveite para procurar as pessoas que o desenvolveram e agradeça-os. Aproveite para conversar com desenvolvedores da região ou de outros países. Se você está procurando um emprego, aproveite para conversar com recruiters (eles estão por toda parte!). As vezes é difícil manter o foco com tanta coisa acontecendo, com tanta comida e bebida de graça e uma cidade tão divertida, mas não se esqueça que essa é sua chance de voltar ao Brasil muito maior, tanto como pessoa quanto como profissional.

Uma ótima semana de WWDC a todos nós!

Adeus, Ginga

Entrei aqui pela primeira vez e ouvi que esse era um lugar diferente. Havia cervejas importadas liberadas para os funcionários, pebolim e video-game a vontade. O horário era flexível e quinta-feira era o dia oficial do futebol. Apesar de muito organizada, a descontração era uma característica forte e algo que estava “no DNA da empresa”.

E, durante alguns dias, vi que as coisas eram diferentes mesmo. Após o expediente, antes de voltar para casa, eu pegava uma cerveja e relaxava depois de um cansativo dia de trabalho. Depois do almoço ou no meio da tarde, uma partidinha de video-game era de lei para descontrair a mente. Idéias de melhoria e inovação eram sempre bem-vindas. A capacitação dos funcionários era, claro, algo altamente apreciado. Duas vezes por mês tínhamos nossas Innovation Sessions, onde a empresa toda parava para discutir novas idéias e tecnologias que podíamos utilizar no nosso dia-a-dia.

De março a abril desse ano fiz uma viagem para a Europa e fiquei trabalhando remoto durante esse tempo. Foi aí que a organização da empresa começou a se mostrar frágil. A falta de contato, de interesse e do empenho na comunicação fizeram com que esses meses não fossem aproveitados (nem por mim, nem pela empresa) como deveriam.

Foi aí que tudo começou - ou que, pelo menos, comecei a perceber. Descobri que as partidinhas de video-game no meio da tarde eram vistas com maus olhos. As cervejas foram restritas a apenas 1 vez por mês e o pebolim agora fica do lado da mesa do chefe. Como era de se esperar, as innovation sessions foram substituídas por task-forces e, com o tempo, a geladeira de cervejas se foi, assim como o video-game. Se foi também o controle remoto da TV, que foi escondido pelo dono da empresa após o escritório parar por 30 minutos para assistir o emocionante jogo da Argentina x Suiça pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Se foram também os momentos descontraídos, as risadas e a vontade de ser algo mais além de uma empresa quadrada. Almoços deixaram de ser momentos de descontração para serem apenas uma pausa para se alimentar.

A história de capacitação era, claro, mentira. Ao anunciar que eu decidira ir ao WWDC esse ano (pagando tudo do meu bolso, claro), fui intimado e coagido. Tive que, além de pagar todos os custos, usar dias de férias para ir ao WWDC. Dizer que é a maior e mais importante conferência para mim (e para quase todos que desenvolvem para os dispositivos da Apple) não ajudou em nada. O que eu ouvi é que eu estava deixando de trabalhar para viajar.

Estou abrindo mão de muita coisa para sair, mas não tenho porque ficar. Tenho sorte de viver em uma época que o meu trabalho é valorizado e de existirem empresas que querem me dar uma das coisas que mais me motivam nessa profissão: um ambiente de trabalho onde as pessoas realmente gostem do que façam e que o trabalho bem feito seja consequência disso. Um lugar onde ficar trabalhando até mais tarde seja um prazer e não uma obrigação. Um lugar onde os chefes não escondam os controles remotos.

Backup

Em 2012 fiz a minha primeira viagem para St. Louis. Nessa época eu ainda não sabia que ia passar a maior parte de 2013 nesta estranha, mas de certa forma simpática, cidade do Mid-West americano. Eu conhecia muito pouco sobre St. Louis e não sabia como eu ia me virar nos primeiros dias que eu estivesse por lá. Tudo correu muito bem, graças a ajuda e companhia de um grande amigo meu, o Mogames que estava viajando comigo.

Depois de alguns dias na cidade, ele me mostrou um vídeo que ele estava gravando durante a viagem. Ele tinha recém apoiado um projeto no Kickstarter de um app chamado One Second Everyday e o esse projeto tinha sido realizado, o aplicativo foi desenvolvido e estava disponível na App Store. A idéia do app era bem simples: de gravar pelo menos 1 vídeo por dia para que, mais tarde, fosse editado para ter apenas um segundo de duração. Depois fazia-se um vídeo juntando esses vídeos de um segundo. É isso. Um segundo por dia. No site do aplicativo tem um vídeo muito legal, dá uma olhada lá.

Nunca fui o maior fã de tirar fotos, mas achei a idéia de fazer o vídeo interessante e me planejei para fazer um também. E, claro, deixei a idéia de lado.

Em setembro de 2013, ainda “morando” em St. Louis, comecei a fazer os planos para o primeiro semestre de 2014 e resolvi passar dois meses na Europa. E como o ano de 2014 prometia ser um ano bastante viajado, me planejei para gravar um vídeo de um segundo por dia. Yay!

Poucas vezes tive tanta disciplina para realizar algo diário como desta vez para gravar os vídeos. Coloquei dezenas de alarmes todos os dias (e não sou o maior fã de notificações e alarmes no celular) e me forçava para gravar pelo menos um vídeo a cada dia, mesmo que fosse da coisa mais simples ou rotineira. Queria manter o hábito de gravar todos os dias (o vídeo fica mais legal quando não se esquece de gravar nenhum dia).

Me orgulho de não ter esquecido nenhum dia. Gravei o primeiro dia do ano, gravei os meus primeiros dias de trabalho na Ginga, a visita que fizemos ao meu pai em Teresina, a viagem para a Europa - as três conferências que eu fui, as cinco semanas que passamos em Amsterdã, os dias em Barcelona. Além disso, acabei viajando mais do que eu a princípio havia planejado e ainda no primeiro semestre fui para Montevidéu e para San Francisco. Outro evento interessante que estava fazendo o vídeo ficar legal é que esse ano teve Copa do Mundo no Brasil.

Eu estava esperando completar o ano inteiro para compartilhar o vídeo para quem quisesse ver. Só que no fim de Junho, roubaram meu iPhone. Isso mesmo. Roubaram meu iPhone.

Não interessa se os ladrões estavam ou não armados, não interessa se dava para correr. Eu jamais reagirei a um assalto. No final das contas, eu estava carregando algumas coisas que dariam mais trabalho para mim de conseguir comprar novamente, como meus fones de ouvido e, sinceramente, saí no lucro.

Depois do assalto, peguei um táxi para casa (nessa época eu morava com os pais da Marília, ali perto da Lapa) e fui direto no Mac apagar meu iPhone remotamente (odeio usar senha no iPhone e por isso ele estava totalmente destravado). Passado o susto, o dia foi voltando à sua normalidade. Lembrei então de gravar o meu vídeo do dia.

Não consegui, claro. Não tinha mais a minha câmera e o pior de tudo, não tinha mais os vídeos passados. Estava tudo gravado unicamente no meu iPhone.

Nunca tive o hábito de fazer backup. No ano passado, comecei a subir as fotos no Flickr apenas pelo fato de eu não ter espaço (nem vontade) para armazenar todas as fotos no computador ou no iPhone. Por não ter uma internet decente, porém, não era tão comum eu fazer o mesmo para os vídeos. Era isso, não tinha para onde fugir: eu tinha perdido meus vídeos para sempre. Não tinha o que fazer. Era bola para frente e aprender com essa lição.

Fiquei cerca de uma semana sem celular e peguei emprestado um outro iPhone 5 com um grande amigo meu. O aparelho era similar ao que eu tinha, porém com 16gb de armazenamento ao invés de 32. Resolvi que não ia comprar outro iPhone (até porque em Setembro tudo indicava que o iPhone 6 seria lançado) e uso ele até hoje.

Até ontem ele estava rodando uma versão beta do iOS 8, por que não estava fácil liberar cerca de 5gb que precisava para instalar a versão final e eu não estava conseguindo fazer backup pelo iTunes. Tentei em 4 computadores diferentes (rodando tanto o Mavericks como a versão beta do Yosemite) mas o resultado era sempre o mesmo: o backup falhava, claramente por algum bug no iOS 8 beta. E o pior de tudo: eu estava recebendo notificações da Apple avisando que aquela versão beta do iOS ia expirar.

Acabei comprando 20gb de espaço no iCloud por $0.99 e fazendo backup pro iCloud (que deu certo). Ao invés de baixar o iOS 8 pelo próprio iPhone, baixei pelo site da Apple e fiz a instalação pelo iTunes (o que me poupou de ter que liberar 5gb no aparelho). Para a minha supresa, não precisou formatar o iPhone e por isso nem precisei usar o backup.

Por causa de todo esse problema em fazer o backup, acabei lembrando de um fato engraçado que aconteceu quando a gente estava em Barcelona no começo do ano, logo após a úll e antes da UIKonf. Essa era a terceira vez que estávamos Barcelona visiando nossos grandes amigos Bruno e Paulets. O Bruno tinha acabado de trocar o iPhone 5 dele de graça porque a Apple estava fazendo um recall por causa de um problema com o botão de ligar/desligar do aparelho. Como eu tinha comprado meu iPhone lá em Barcelona em 2012 (e porque eu gosto de trocar minha coisas por coisas mais novas de graça), levei meu iPhone para ser trocado também (nessa época, eu não tinha sido roubado ainda). O Bruno me avisou para fazer um backup antes de ir na Apple, pois assim, caso eles quisessem trocar o aparelho na hora, o processo seria mais rápido. Pela primeira vez na história, fiz um backup do meu iPhone no Mac.

Fomos na Apple, mas, no final, não consegui trocar meu iPhone. Me disseram que teriam que trocar apenas o botão de ligar/desligar e não o aparelho inteiro, e por isso eles teriam que ficar com o iPhone por uma semana. Só que dali três dias estaríamos embarcando para Berlim. Acabei ficando com o iPhone do jeito que estava mesmo (ou seja, em estado perfeito, já que eu não tinha problema nenhum com o botão, só queria trocar por um novo). Vida vai, vida vem, fui roubado e aqui estou.

Até que… ei, espera! É isso mesmo! Eu fiz um backup do meu iPhone em maio desse ano! Isso significa que se eu restaurar o backup, todos os meus vídeos e fotos que tirei no começo do ano estarão lá! Hmm, será que estarão mesmo? Como funciona o backup do iPhone? Ele salva todas as fotos e vídeos ou apenas os dados dos apps?

Por curiosidade (e com o único intuito de de resgatar meus vídeos de um segundo), hoje de manhã tentei restaurar o backup no meu iPhone, mas não consegui. Meu iPhone antigo tinha o dobro da capacidade de armazenamento do atual e por isso não tenho espaço livre para restaurar o backup.

Pensei então em todas as pessoas para quem eu possa pedir um iPhone de 32gb emprestado apenas para dar uma formatadinha, mas não me vieram muitos nomes à cabeça.

Como bom programador que sou, recorri ao iExplorer, uma ferramenta que te ajuda a explorar o sistema de arquivos do iPhone. Para a minha surpresa, o programa já tem uma funcionalidade de explorar backups do iTunes. Sempre usei a versão demo e hoje tomei vergonha na cara e paguei o valor pela licença do app. Aliás, comprei o Ultimate e tenho 4 licenças para quem quiser.

Sinceramente não estava com muitas esperanças de achar os vídeos. Na época que eu estava gravando os vídeos todos os dias, eu acabava gravando muitos vídeos e, depois de importar um segundo para o app, eu acabava deletando original (afinal, eu tinha gravado apenas para pegar um segundo mesmo). E não acreditava que eu iria conseguir recuperar os clipes de um segundo de dentro do app, juntá-los de alguma forma e fazer o vídeo completo novamente.

Usando o iExplorer, descobri que no dia 3 de Maio, por algum motivo que desconheço (provavelmente para mostrar o vídeo para o Bruno e/ou para a Paulets), eu “compilei” todos os clipes que tinha gravado até aquele dia e salvei o vídeo final no rolo da câmera do iPhone. Procurando pelas fotos e vídeos nesse único backup que eu tinha eu achei esse vídeo. Eu achei esse vídeo. Eu. Achei. Esse. Vídeo.

Vocês não tem noção da felicidade que eu estou sentindo agora.

Modo Avião

Todo mundo já viu, observou e com certeza já reclamou de alguém que fica o tempo todo no celular. Quem nunca ficou olhando torto para aquele cara que sai pra almoçar e não solta o telefone nem para segurar o garfo? Quem nunca deu risada daquele grupo de amigas que vão para um bar juntas mas praticamente não conversam a noite inteira, cada uma entretida no seu celular?

Já fazem uns bons 10, 12 meses que eu uso o meu celular no modo do not disturb 100% do tempo. Fiz isso com a intenção de ser menos passivo em relação às centenas de notificações que recebo por dia (uns 95% disso devem ser mensagens de texto).

Comecei deixando o celular sempre no modo silencioso, desativando praticamente todas as notificações e deletando os apps que consumiam muito do meu tempo e não me traziam nenhum benefício (Facebook, Instagram, Whatsapp são os grandes vencedores). Com o tempo percebi que o modo silencioso não ajudava muito, já que o fato de o celular vibrar me chamava tanta a atenção quanto ele tocar. Resolvi deixá-lo no DND. Maravilha.

É curiosíssimo como passamos a ser dependentes de receber e ler notificações (e o pior: de ficar esperando por elas!). No Google I/O desse ano, foi falado que usuários de Android tiram o telefone do bolso cerca de - pasmem - 125 vezes por dia. Deixando o meu celular no DND fez com que eu prestasse mais atenção em como as pessoas perdem realmente muito tempo checando se existem notificações novas (que na grande maioria das vezes são totalmente dispensáveis).

O próximo passo para mim é não ficar constantemente conferindo se existem notificações e/ou mensagens novas. Como meu celular está sempre no DND, eu preciso ativamente checar se não recebi nada importante e isso faz com que, num almoço com amigos por exemplo, a cada 20 segundos de pausa na conversa ou a cada ida ao banheiro eu tire o celular do bolso para ver se tem algo novo. Geralmente não tem.

Essa semana comecei a deixar o celular no Airplane mode sempre que estou interagindo com pessoas. Seja um almoço, uma reunião, um bar com os amigos, o meu celular vai conseguir receber ligações e, principalmente, conectar na internet. Aconselho você a tentar fazer isso. Você não vai acreditar nos resultados.

Se quiser ler outro texto sobre esse assunto, recomendo o post Airplane Mode do Patrick Rhone, no minimalmac.com (em inglês).

Sobre pessoas

Comecei a ler ontem o Player’s Handbook (Livro dos Jogadores) da quinta edição de Dungeons & Dragons. Embora não seja o maior nem o melhor jogador de RPG do mundo, jogo D&D com um grupo de amigos desde os meus 14, 15 anos e ultimamente, por dificuldades geográficas¹, temos jogado usando Google Hangouts e Roll20, inspirados pelo pessoal do Total Party Kill.

O prefácio do livro é ótimo. Tomei a liberdade de extrair e traduzir um trecho que resume bem o motivo de eu gostar tanto de jogar RPG:

Para jogar D&D, e para jogá-lo bem, você não precisa ler todas as regras, memorizar cada detalhe do jogo ou ser mestre na fina arte de rolar esses dados estranhos. Nenhuma dessas coisas tem importância no que é melhor nesse jogo.
O que você precisa são duas coisas, a primeira sendo estar com amigos que você possa compartilhar o jogo. Jogar com seus amigos é muito divertido, mas D&D fas algo mais além de entreter.
Jogar D&D é um exercício de colaboração criativa. Você e seus amigos criarão histórias épicas cheias de tensão e um drama memorável. Vocês criarão piadas internas que farão vocês rirem anos depois. Os dados serão cruéis mas você os derrotará. Sua criatividade coletiva irá construir histórias que você contará novamente e novamente, alternando dos maiores absurdos aos atos lendários.
Se os seus amigos não se interessam por jogos, não se preocupe. Existe uma química especial nas mesas de D&D que é diferente de tudo. Jogue com alguém o suficiente e vocês dois provavelmente terminarão amigos. É um efeito colateral legal do jogo. Seu próximo grupo de jogadores pode estar tão perto de você quanto a loja de jogos mais próxima, fórum online ou convenção de jogos.

Semana passada aconteceu uma das maiores conferências de desenvolvimento para iOS e Mac do mundo: a 360iDev, em Denver, nos Estados Unidos. Ano passado, por uma série de felizes coincidências, pude participar dessa mesma conferência. Gostei tanto que esse ano resolvi voltar (e trazer alguns amigos). Logo após a AltConf em junho passado, conversei rapidamente com o John (organizador das conferências 360) e consegui um bom desconto para levar brasileiros a edição desse ano.

Fomos em grupo de 12 brasileiros no total. Alguns mais experientes, outros que nunca haviam saído do Brasil antes. Dividimos os mesmos vôos, o mesmo hotel. Participamos da conferência e aprendemos muito com ela. Exploramos a cidade, bares, pontos turísticos e tenho certeza que todos tiveram uma ótima experiência e voltaram para o Brasil com ótimas lembranças dessa viagem.

É engraçado como as sessões de D&D se parecem muito com as conferências que tenho ido nos últimos meses. Tanto no jogo quanto nas conferências, o que importa mesmo são as pessoas que estão ali e o quanto elas querem criar, juntas, experiências únicas e memoráveis para todo mundo. Encontrar velhos amigos, conhecer novas pessoas e juntos criarem um ambiente onde todo mundo possa se divertir aprender.

É muito difícil explicar para alguém que nunca jogou D&D o quanto o jogo pode ser legal. É igualmente difícil explicar para alguém que nunca foi numa conferência como ela pode mudar a sua vida. A 360iDev esse ano foi demais.

Obrigado a todos os brasileiros foram a 360iDev desse ano². Espero que a experiência tenha valido a pena para vocês, da mesma forma que valeu para mim.

Obrigado John pelo apoio. Vai treinando seu português, pois ano que vem estaremos de volta.

(Se você é brasileiro e tem vontade de ir a conferências fora do país mas não sabe por onde começar, adoraria ajudar :)


¹ Eu em São Paulo, O Yumê em Sertãozinho, O Pitomba em Fortaleza, o Kim que estava em Caxias do Sul mas mudou pro Rio e o Bruno em Barcelona.

² Marcelo, Marcelo, Gustavo, Gustavo, Bruno, Bruno (eu), Marília, Juliana, Guilherme, Christian, Rafael e Tales.

Casa Digital em Chamas - Uma Lição sobre Deixar para Trás

esse texto é uma tradução livre do post Digital House Burning – A Lesson in Letting Go de Jessica Dang no seu blog Minimal Student.

Você já perdeu um disco rígido?

É o equivalente digital ter a sua casa em chamas. De uma hora para outra você perde parte do seu trabalho, arquivos, documentos e mais dolorosamente, suas fotos. Se foram. Para sempre.

Isso aconteceu comigo a um ano atrás. Eu ainda tenho algumas das coisas mais importantes salvas em algum lugar, mas perdi a maior parte de aproximadamente seis anos de documentos.

Na hora, perder tantos dados fez-me sentir como perder parte da minha vida. Coisas que criei durante esse tempo, as horas que eu me dediquei em escrever, editar e salvar todas as coisas, para que um dia eu pudesse ver e relembrar, se foram.

Um ano depois, como eu me sinto?

Em uma palavra, contente.

É isso mesmo. Me sinto bem. A parte minimalista de mim deveria ter sabido que eu me sentiria assim. Eu não sinto falta de nada e minha vida não entrou em colapso por causa disso.

As coisas que eu pensei que eram tão importantes um ano atrás não importam tanto para mim agora. E eu imagino que daqui um ano, elas vão importar ainda menos.

Eu acredito fortemente que as tudo acontece por um motivo (ou que, pelo menos, as pessoas deveriam tentar achar lições nas coisas que acontecem com elas) e perder as minhas coisas não foi diferente.

Para mim, essa foi uma lição sobre deixar para trás.

Nós vivemos em uma época onde podemos salvar tudo nas nossas vidas. Podemos registrar momentos que supostamente durariam um segundo e mantê-los para sempre. Embora isso seja bom em alguns pontos, também pode ser negativo em outros. Nós podemos lembrar de nos sentir nervosos, irritados ou tristes com com algo ou alguém e nesse momento lembrar realmente do porquê.

Minha casa digital em chamas foi uma limpeza, em partes. Me permitiu começar de novo. Sabendo que as coisas que capturamos são apenas um retrato de cada momento, eu fui capaz de aproveitar cada momento melhor.

Ao invés de me preocupar em tirar fotos a cada vez que eu viajava, eu parei para falar com pessoas e apreciar as vistas, sons e aromas dos lugares que eu fui.

Livre da bagagem do meu passado, eu fui capaz de focar melhor em criar trabalhos novos. Eu cresci e melhorei de tantos modos nesses últimos seis anos e me apegar a coisas antigas não ia ajudar meu progresso a continuar.

Sim, é difícil de superar uma casa digital em chamas. Eu não estou dizendo que as pessoas deveriam começar a tacar fogo nos seus discos rígidos (e agora eu mantenho um segundo disco rígido e também faço backup na nuvem) ou parar de tirar fotografias. Na verdade, eu sou uma grande defensora de manter diários para reflexões. Mas o que eu estou dizendo é isso. Mesmo se certas coisas pareçam importantes para nós agora, no final das contas é apenas uma coisa. Se nós a perdemos, nós todos temos a força dentro de nós para superar isso.

Um dia, as coisas sentimos ser tão preciosas para nós irão embora. Até lá, vamos cultivar o pensamento de focar mais em coisas que nós temos, ao invés de coisas que nós perdemos.

Aprenda a deixar para trás. E no final, você vai ficar bem.

Ilha Solteira - Parte 0

Existe uma história que eu sempre quis contar, mas nunca consegui. É a história da maior aventura da minha vida.

Já tentei contá-la e escrevê-la dezenas de vezes, mas sempre acabo me perdendo nos detalhes e nas lembranças de tudo que aconteceu.

Achei alguns textos que escrevi em 2008 contando como foram esses dias que eu e três amigos decidimos sair de São Carlos até a Ilha Solteira de carona, com os bolsos praticamente vazios para ir a um festival de música. Já postei esses textos em algum lugar no passado, mas quero tentar rescrevê-los e contar detalhes de como foram esses dias. Me conheço bem: sei que se eu tentar escrever tudo de uma vez antes de publicar, ninguém jamais lerá essa história. Vou publicá-la em partes - não necessariamente na ordem que os fatos aconteceram. Vou tentar lembrar e escrever todos os detalhes dessa viagem e, como já fazem 6 anos, muitas dessas lembranças podem ter sido enfeitadas ou até mesmo inventadas pela minha memória. Mas não quero, também, que isso seja outra desculpa para eu não escrever.

Espero que gostem. Essa é mais uma tentativa de contar essa história maluca.

##Ilha Solteira - Parte 0

Nos dias 12, 13 e 14 de Setembro aconteceu o Festival InterUNESP de Música. Eu só tinha ouvido falar desse festival uma vez, pelo Bobby, no ano passado. Este ano ele resolveu me convidar e eu consegui agitar uma turma pra ir. O festival ocorre anualmente, na Ilha Solteira, que é uma ilha fluvial, situada no Rio Paraná, na divisa com o Mato Grosso do Sul. Não sabíamos muito mais do que isso. A idéia era achar um lugar pra acampar por lá. Eu (junto com a Veri, a Keylla e a Monicão) íamos, a princípio, de ônibus (da UNESP Rio Claro) e gastar uns bons 100 reias com a viagem. O Thiago, a Gabi, o Lucas e a Marília iam, aos pares, tentar pegar carona na estrada.

Naquela época eu estava no meu segundo ano de faculdade: após passar 2 anos no Japão, voltei em junho de 2006 e prestei vestibular para Informática na USP de São Carlos, uma cidade até então praticamente desconhecida para mim. Cursei o primeiro semestre e, por um ou outro motivo, tranquei o segundo. Voltei em 2008, com o currículo atrasado. Durante o terceiro semestre cursei 8 disciplinas (3 a mais do que o normal) e eu estava, então, no quarto semestre, cursando 9 disciplinas.

Já estávamos com tudo pronto (na medida do possível) para a nossa aventura. Porém, dois dias antes da viagem, o Lucas me disse que a Marília não ia mais e que ele precisava de alguém pra ir (tentar) pegar carona com ele. Eu tinha provas da faculdade na segunda e na terça e, pela segurança da volta, preferia ir de ônibus. Mas o Lucas me convenceu a ir com ele. E essa também acabou sendo a minha única chance de ir já que, não lembro exatamente o motivo, eu estava sem dinheiro e não ia conseguir pagar o ônibus da UNESP (e, no fim, a Keylla, a Monicão, a Veri com mais um conhecido (o Love) acabaram rachando as despesas e indo de carro com o Gilson).

Desprendimento

Quando voltei da minha segunda viagem ao Japão, em março de 2008, uma inusitada surpresa esperava por mim na república¹ em que eu morava em São Carlos: todas as minhas roupas haviam sumido! Todas.

Antes de ir passar 3 meses em Toyota, em dezembro de 2007, deixei todas os meus pertences (roupas, na grande maioria) guardadas em um só lugar, pois nós, da república, estávamos de mudança para uma casa maior e as pessoas que moravam comigo iam levar minhas coisas para a casa nova. Quando voltei, ninguém sabia onde estavam as minhas roupas!

Nessa época, eu morava em uma casa de três quartos com mais sete pessoas. Até hoje ninguém conseguiu me explicar direito o que aconteceu, mas a verdade é que eu estava ali, com apenas algumas peças de roupa e nenhuma vontade (nem dinheiro) para comprar mais. Então, a partir desse dia todos os meus pertences passaram a ser apenas o conteúdo de duas pequenas malas e uma mochila, que eram tudo que eu tinha trazido de volta do Japão.

Depois de passado o estresse inicial (que não foi pouco), me dei conta de que em nenhum outro momento da minha vida me senti tão leve. A falta de possuir bens materiais me deu uma sensação de liberdade, de estar pronto para viajar (ou me mudar) para qualquer lugar em questão de minutos. Afinal, não tinha o que levar.

Comecei a procurar na internet pessoas que viviam de modo parecido. Conheci blogs e principalmente pessoas que me trouxeram inspiração para viver essa vida “minimalista”, com mais foco no presente e nas experiências. Passei a prestar mais atenção na hora de comprar (ou mesmo desejar) qualquer tipo de bem. Passei também a refletir melhor antes de gastar o meu dinheiro.

Viver desse modo tem me trazido oportunidades de viajar pelo mundo que tenho certeza que não conseguiria se tivesse tantas coisas me prendendo em algum lugar. Desde 2008, além do Japão e São Carlos, já morei em São Paulo, Campinas, St. Louis e agora estou de volta a São Paulo. Também consegui ter tempo e dinheiro para conhecer e visitar cidades pelo Brasil e pelo mundo, como Fortaleza (2009 e 2012), San Diego e Los Angeles (2011), Navegantes, Blumenau e Balneário Camboriú (2011), São Francisco (2011, 2012, 2013), Nova York (2012), Denver, Chicago (2013), Barcelona (2012 e 2013), Munique (2012), Amsterdam (2013) além de diversas cidades no interior e litoral paulista.

Mês que vem estou indo passar dois meses para participar de três conferências na Europa. Muitas pessoas olham para mim como se eu fosse rico ou falam com admiração: “Nossa, você tem muita sorte de conseguir fazer isso”. Aprendi que somos capazes de fazer qualquer coisa e que o dinheiro quase nunca é o problema. É claro que existem exceções, mas na grande maioria dos casos as pessoas deixam de aproveitar a vida por priorizar a aquisição de pertences, o que gasta não só dinheiro, mas muito tempo também.

Tudo que precisei para planejar essa viagem, que para mim é a realização de um sonho, foi vontade, determinação e planejamento. Desde 2008 me vigio constantemente para não gastar dinheiro com coisas que vão me prender em algum lugar (ou que vão dificultar a minha vida, caso eu deseje sair daquele lugar). Além disso me organizo para que eu seja 100% capaz de fazer meu trabalho de praticamente qualquer lugar do mundo. Para essa minha viagem à Europa, precisei vender meu carro (e agora dependo 100% de transporte público) mas não me arrependo e, inclusive, é algo que aconselho a todos.

Nos apegamos às coisas com uma facilidade que é difícil até de admitir. Tente pensar na sua vida sem seu carro, sem móveis no quarto, ou mesmo sem um quarto só para você. As vezes gosto de pensar no que seria da minha vida se um dia eu perdesse tudo que é material. O que você faria? Não é a falta de dinheiro - nem de tempo - que te impede de realizar seus sonhos. É você.

¹ Não sei se “república” é um termo muito comum. De qualquer modo, segue o link da Wikipedia para “república estudantil”.

PS. Se você quer saber mais, recomendo esses três sites abaixo o primeiro é em português, os dois últimos em inglês.

Consequências

Hoje fui parado no meio da rua para dar uma informação.

Devido aos recentes acontecimentos fiquei com medo. Cogitei não parar para ajudar. Cogitei até sair correndo.

Parei, ouvi a pergunta e dei a informação. Ouvi um muito obrigado e recebi um sorriso como resposta.

Fiquei pensando se eu pararia para dar a informação se fossem dois caras em cima de uma moto. E a minha primeira resposta foi não.

E se fosse uma pessoa negra? E se fosse alguém pobre, mal-vestido? Será que parei apenas porque era uma menina? É esse tipo de julgamento que quero fazer? É esse tipo de pessoa que quero me tornar por ter sido assaltado?

Não aconteceu nada

Todos os dias faço o mesmo trajeto a caminho da empresa que trabalho. Da academia ando cerca de 30 minutos até a estação de trem da Cidade Universitária. De lá pego o trem até a Berrini e ando mais uns 10 minutos até o destino final.

Essa primeira caminhada até a Cidade Universitária é um dos momentos que mais gosto no dia. A rua é bastante arborizada e o fluxo de carros e pessoas, pelo menos até a Praça Pan-Americana, é super sossegado, o que torna a caminhada agradável. É nesse momento que planejo meu dia, sempre ouvindo música ou, não raramente, ouvindo um dos podcasts que escuto regularmente.

Esse também é o caminho mais fácil para chegar ao trabalho. Caso eu optasse (como já fiz algumas vezes) por um caminho alternativo (talvez para andar menos, como sei que muitas pessoas prefeririam) eu teria que pegar 3 trens (fazendo duas baldeações bem chatas: na Consolação/Paulista e em Pinheiros) ou pegar dois ônibus (o que aumentaria o tempo do trajeto em cerca de meia hora, com trânsito bom). Me sinto até privilegiado por, morando em São Paulo, fazer um caminho tão tranquilo para ir trabalhar todos os dias. Na quarta-feira passada dois rapazes em uma moto me pararam para pedir informação. É, eu sei. Só de ler essa frase todos vocês já sabem que se trata de um assalto. Eu estava, como sempre, ouvindo alguma coisa no meu iPhone (e usando um fone não muito discreto) e nem vi quando a dupla se aproximou e pediu informação. Quando percebi, eles já estavam parados do meu lado, repetindo alguma coisa que eu não havia ouvido.

Tirei calmamente o fone e o rapaz que estava na garupa falou: “me dá o celular e vaza, como se não tivesse acontecido nada”.

Calmamente peguei o meu celular, que estava no bolso direito (onde também estavam minhas chaves e minha carteira com documentos e cartões), despluguei o fone e entreguei na mão dele. Depois vazei, como se não tivesse acontecido nada.

Dei mais 20, 30 passos. O próximo carro que passou por mim era um táxi. Dei sinal, voltei para casa e fiz todos os procedimentos de praxe: apaguei os dados do celular pelo “Find my iPhone”, bloqueei a minha linha na Vivo (que por si só já é uma experiência quase tão ruim à experiência de ser roubado) e comuniquei às 4 ou 5 pessoas com quem falo com mais frequência do ocorrido. Pelo resto do dia trabalhei de casa, já que, obviamente, não estava mais no clima para ir até o trabalho. Não sei se eles estavam armados e nunca passou pela minha cabeça a possibilidade de correr ou reagir. Sinceramente, por mais absurdo que essa frase possa soar, fiquei aliviado de terem levado só o celular.

Amanhã vou ao trabalho pela primeira vez desde o ocorrido e tenho algumas opções de caminho a escolher. As duas que considero (descartando, claro, a possibilidade de pedir demissão) são: 1) continuar indo pelo mesmo caminho como se não tivesse acontecido nada ou 2) ir de ônibus. Se eu escolher a primeira opção, eu não vou mais usar meus fones na rua, vou deixar meu celular sempre bem guardado e vou andar sempre mais alerta. Na segunda opção, continuo ouvindo minhas músicas/podcasts, mas levo cerca de meia hora a mais para chegar no trabalho, além de abrir mão da minha tão querida caminhada matinal. Em outras palavras, ou eu fico mais “noiado” todas as manhãs, com receio de ser assaltado novamente (e sem música) ou eu perco meia hora a mais por dia (e dou adeus à minha tão amada caminhada).

Consigo ver essa história de vários ângulos e quase todos me remetem à mesma sensação: de raiva e de desejo de vingança. Absolutamente todas as pessoas para quem eu contei essa história me perguntaram se eu liguei o “Lost Mode” do “Find my iPhone” (bom, pelo menos todas as que sabem o que é isso) e muitas me aconselharam ir à polícia ou procurar pelos bandidos para resgatar o celular e mandar os infratores para a cadeia.

Não é disso que preciso. Um grande amigo me ensinou recentemente que a vingança e esse senso errôneo de justiça apenas nos aproxima mais daqueles com quem não concordamos. Tudo que sinto pelas duas pessoas que me assaltaram é pena. Pena porque sei que infelizmente eles escolheram esse caminho ao invés de ter um trabalho justo. Pena porque depois do esforço em assaltar alguém do bem, nem o celular eles vão conseguir usar.

Lembrei que há 8 anos roubaram o meu primeiro Mac. Se tem uma coisa que essa vida me ensinou é que as coisas materiais nós sempre conseguimos comprar de novo (e quem, naquela época, diria que eu, em 2014, poderia ter o Mac que eu quisesse à disposição?) e que não vale a pena ricochetear esse sentimento ruim para as outras pessoas, por mais que julguemos que elas mereçam. Eu não me importaria em fingir que não aconteceu nada se eu tivesse certeza que isso não poderia acontecer de novo. Analisando todo o ocorrido, o que me entristece de verdade é a prisão em que esse tipo de situação nos obriga a entrar: ter que abandonar um simples hábito saudável que eu fazia questão de praticar todos os dias. Um hábito que energizava tanto meu corpo como a minha mente e me fazia ter uma vida melhor. O celular eu consigo outro, mas parte da minha qualidade de vida se foi a troco de nada.

Não sinto raiva. Não quero vingança. Não quero justiça. Quero apenas poder caminhar tranquilamente todos os dias antes de ir trabalhar. Parece meio cliché, mas é a verdade.

Será que isso é ser melhor?